Custo do cartão atinge 406,1%

Custo do cartão atinge 406,1%

postado em 28/11/2015 00:00
O consumidor que precisou de crédito em outubro sofreu com o custo das operações. A taxa média de juros do cheque especial chegou a 278,1% no mês passado, o maior patamar desde junho de 1995, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central. A greve dos bancários, que fechou agências em todo o país, entre 6 e 23 de outubro, piorou a situação de quem buscava empréstimo com taxas mais atrativas.

O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, explicou que as pessoas que recorreriam, por exemplo, ao crédito consignado para pagar contas foram obrigadas a usar o rotativo do cartão de crédito, porque não conseguiram atendimento nas agências. Com isso, tiveram de arcar com juros médios de 406,1%. ;As taxas de juros e o spread continuaram crescendo em outubro e atingiram o maior patamar da série. Esse movimento está consistente e em linha com a política monetária;, disse Rocha.

Os juros de crédito pessoal que não são descontados em folha também dispararam, atingindo 129,1%. No ano, a alta é de 27,2 pontos percentuais. Mesmo as modalidades consideradas menos onerosas tiveram alta nas taxas. A do consignado do setor público subiu 2,4 pontos percentuais, para 26,4%; a dos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 0,6 ponto percentual para 28,6%. E o empréstimo com desconto em folha dos trabalhadores do setor privado disparou 7,4 pontos percentuais, para 41,3%.

Estoque
A greve dos bancários teve outro efeito sobre o mercado de crédito: o estoque total de recursos caiu ligeiramente, 0,1%, pela primeira vez neste ano, porque as concessões diminuíram 3,8%. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, foram emprestados pelo sistema financeiros às empresas e às famílias cresceu 8,1%. Rocha explicou que o BC pode rever a projeção de crescimento do total de recursos emprestados em 2015, hoje em 9%. ;A atividade econômica fraca diminui a demanda e oferta crédito;, comentou Rocha. Isso ocorre porque mais pessoas estão desempregadas, a renda diminuiu e os bancos ficaram mais exigentes, temendo calote.

Uma das poucas modalidades que registrou alta no mês foi a de crédito imobiliário para pessoa física. O aumento foi de 1,1% e, em 12 meses, de 13,7%. Com isso, o estoque total de operações para compra da casa própria chegou a R$ 490,7 bilhões. Pelas contas do BC, o saldo total de crédito do país corresponde a 54,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em outubro, chegou a R$ 3,1 trilhões, uma alta de 4,6% nos 10 primeiros meses do ano. (AT)

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