BTG tenta acalmar investidor

BTG tenta acalmar investidor

Em carta enviada a clientes, presidente interino do grupo diz que banco não é alvo de investigação. Instituição precisa renovar captações de R$ 15 bilhões em 90 dias para manter estrutura de financiamento

postado em 28/11/2015 00:00
 (foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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(foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )


Com a credibilidade abalada desde a prisão de seu principal executivo, André Esteves, na última quarta-feira, o BTG Pactual lançou uma estratégia para desfazer o clima de desconfiança que cerca a instituição e estancar os saques de investidores dos fundos administrados pelo grupo. Em carta enviada ontem a clientes, no Brasil e no exterior, o presidente interino do banco, Pérsio Arida, afirmou que o BTG não é alvo de nenhuma investigação ou acusação. No documento, ele informa ainda que membros independentes do Conselho de Administração estão avaliando os fatos e as acusações contra Esteves, com o objetivo de que essas questões ;sejam esclarecidas o mais rapidamente possível;.

Com a carta, Arida pretende tranquilizar clientes e o mercado, passando a mensagem de que o BTG está colaborando com as autoridades na condução do inquérito. ;Estamos mantendo contato proativo com os reguladores em todos os países onde estamos presentes. Ainda lançamos um programa de recompra de ações;, disse ele. O programa de recompra foi anunciado no dia em que Esteves foi preso. Membros do Conselho e diretores da instituição entraram ainda em contato com autoridades bancárias de países como Colômbia, Chile e Suíça, onde o banco tem operações financeiras, para prestar esclarecimentos. Funcionários da instituição estão passando um ;pente fino; nas operações que possam estar vinculadas à prisão de Esteves.

A interlocutores, Arida disse ainda que o BTG não está à venda. O desafio imediato do presidente interino é evitar o desmoronamento da estrutura de financiamento da instituição. Analistas do setor observam que o BTG Pactual precisa renovar cerca de R$ 15 bilhões em investimentos de clientes, a cada 90 dias, para manter as operações. Nos últimos dois dias, investidores sacaram cerca de R$ 3,5% dos R$ 230 bilhões de recursos de terceiros administrados pelo banco de investimentos. A perda é relativamente pequena. Por via das dúvidas, para proteger o caixa, a instituição interrompeu a concessão de empréstimos e financiamentos.

Saída
No mercado, a avaliação é a de que a solução ;menos tóxica; seria a saída de André Esteves da gestão e do próprio banco. ;O BTG é sustentado por três pilares: trading (negociação de commodities), gestão de fundos e pelo braço de banco de investimento. Tirando o primeiro pilar, os outros dois já foram comprometidos com a prisão do seu principal gestor;, disse uma fonte. A alternativa de que os principais sócios do banco ; o próprio Pérsio Arida, Marcelo Kalim e Roberto Sallouti ; comprem a fatia de Esteves tem sido aventada pelo mercado. ;Independentemente da estrutura acionária, se Esteves (controlador e detentor da maioria das ações) for condenado, não poderá exercer esse cargo;, acrescentou.

Fontes ligadas ao banco descartam que os sócios estejam articulando a saída de Esteves. Na carta aos clientes, Arida ressalta esse tema: ;O mais importante é que nossa partnership (sociedade) permanece intacta. Mais de 80% das ações do BTG é detida pela partnership. Este grupo tem mais de duas centenas de pessoas unidas em torno dessa sociedade, que reflete uma cultura profundamente enraizada e um conjunto de valores forjados ao BTG Pactual em sua história de 32 anos;.

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