Um país perplexo

Um país perplexo

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA placidofernandes.df@dabr.com.br
postado em 28/11/2015 00:00


Quanto mais as investigações do petrolão avançam, mais o Brasil se assombra com a desfaçatez e a falta de limites da quadrilha que tomou o país de assalto. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal quebrou um paradigma. Pela primeira vez na história da República, decretou a prisão de um senador. Ordenou ainda que outros dois intocáveis ; um banqueiro e um advogado ; fossem postos na cadeia. Quem melhor traduziu o estado de perplexidade da nação com as tenebrosas transações que vieram à tona no meio da semana foi a ministra Cármen Lúcia, do STF.

De forma simples e direta, ela resumiu a trajetória do partido que chegou ao poder com o discurso de ética na política e depois meteu-se em dois dos maiores escândalos de corrupção da história do país ; e do mundo, segundo The New York Times. ;Houve um momento em que a maioria dos brasileiros acreditou que a esperança tinha vencido o medo. No mensalão, descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora, parece que o escárnio venceu o cinismo;, indignou-se a magistrada. É dela também outra frase que acabou virando manchete de jornal no dia seguinte: ;O crime não vencerá a Justiça;.

Do lado de cá do balcão, a população aplaude o juiz Sérgio Moro e comemora cada vitória da força-tarefa que desmantelou o bilionário esquema de corrupção na Petrobras. A mais recente foi a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai. Amigo de Lula, o empresário tinha livre acesso ao Palácio do Planalto no governo do petista. Ele é suspeito de forjar operações fraudulentas em bancos e na Petrobras para beneficiar o PT. O partido nega.

Apesar de tudo, muita gente ainda encara as investigações com certo ceticismo. Será que elas chegarão ao chefe da quadrilha? Ou vão acabar em pizza no meio do caminho, como pareciam apostar o senador petista e o advogado flagrados tentando impedir que Cerveró aceitasse acordo para contar o que sabe? As forças que se movem nos subterrâneos da República são poderosas. Mais do que nunca, as instituições precisam resistir às investidas dessa máfia

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