Animais especiais

Animais especiais

O projeto Cão-Guia de Cegos do DF entregou mais três cachorros treinados. Há mais 9 cães prontos para serem transferidos. Mas a fila de espera conta com cerca de 300 pessoas

» Agatha Gonzaga
postado em 28/11/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)





Em cerimônia realizada na tarde de ontem, na Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), o projeto Cão-Guia de Cegos do DF, entregou três cães da raça Labrador, a deficientes visuais que haviam se afastado de seus antigos companheiros, devido ao falecimento do animal, a problemas de saúde ou idade avançada. Esta foi uma situação diferente das solenidades que servem para transferir animais a cegos que nunca tiveram esse tipo de adaptação.

Os animais gerados em recriação do projeto passaram por famílias hospedeiras até atingirem idade para o treinamento. Com cerca de doisanos, são encaminhados para adestramento ministrado pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, e então habilitados para serem guias.

O Projeto Cão-Guia de Cegos já entregou cerca de 43 cães, para deficientes visuais em todo DF e em 14 estados. Os organizadores afirmam que existem ainda outros 9 animais prontos para serem entregues aos utilizadores ; atualmente, existe uma lista de espera com cerca de 300 pessoas.

Durante uma semana, os deficientes ficaram hospedados no Centro de Treinamento, localizado na Academia do Corpo de Bombeiros. No local, eles foram submetidos a um curso de adaptação para conhecer os animais. Em situações normais, em que o deficiente nunca tenha tido um cão-guia, o processo dura duas semanas. Eles também receberam um cartão contendo informações que auxiliam em ocasiões do dia a dia, como utilizar transporte público e entrar em espaços públicos e privados com a companhia do cachorro.

Novo amigo


Baiano de Cruz das Almas, o agrônomo Aroldo Murilo Pinto da Cunha, 54 anos, veio até Brasília buscar seu novo companheiro. Em 2010, já tinha vindo à capital para pegar Pupi, que, segundo ele, lhe trouxe autoestima e confiança suficiente para se lançar em um mestrado. ;Quando eu fiquei cego, o mundo desabou, e, com o cão-guia, voltei a enxergar. Quando Pupi morreu, fiquei cego de novo, mas agora posso enxergar novamente. A felicidade é muito grande por ter esse novo amigo; explica.

Emocionado, o servidor público Silvo Gois de Alcântara, 54, recebeu Bia, sua nova cadelinha. Ele é um dos pioneiros do projeto. Em 2002, havia sido beneficiado na primeira linhada de cachorros, que deu origem ao projeto. Na época, Silvo veio buscar o cão Zircon, mas, 7 anos mais tarde, por problemas de saúde, o animal teve que se aposentar. Depois de 3 meses, Silvo recebeu a cadela Nana, que recentemente teve quatro hérnias de disco descobertas e também se aposentou. Agora, Silvo leva para casa mais uma fêmea, Bia, que fará companhia a Nana. ;A Bia vai me ajudar bastante, mas eu não posso ficar sem a Nana, pois agora ela precisa de muitos cuidados ; e eu preciso ao menos retribuir o que ela fez por mim nesses anos;, afirmou.

A telefonista Marinalva Pires de Lima, 38, é outra deficiente visual presente desde a fundação do projeto. Sua primeira companheira foi Gipsy, vinda de um treinamento especial no Canadá. As duas ficaram juntas 10 anos. ; Eu sempre falava que ela era o meu presente de Deus. Nós trabalhávamos, íamos à faculdade, fazíamos tudo juntas. Quando ela faleceu de velhice há 3 anos, eu sofri muito, mas agora estou feliz, pois é como se voltasse a enxergar;, diz, referindo-se à nova companhia, a cadela Aila. ;Ela faz aniversário no mesmo dia que eu. Tenho certeza de que vamos nos dar bem juntas;, garantiu.

Entre alimentação, cuidados veterinários e medicações, hoje o projeto tem um custo de R$ 27 mil a R$ 30 mil para cada cão. Atualmente, o projeto conta com alguns colaboradores e parceiros que fornecem alimentação e atendimento médico, mas nenhuma ajuda financeira. Os recursos são arrecadados por meio de doações esporádicas de pessoas físicas, venda de camisetas e canecas, além de campanhas.


Quando eu fiquei cego, o mundo desabou, e, com o cão-guia, voltei
a enxergar. Quando Pupi morreu, fiquei cego de novo, mas agora posso
enxergar novamente. A felicidade é muito grande por ter esse novo amigo; explica.


Aroldo Murilo Pinto da Cunha,

agrônomo

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