Bumlai se diz "injustiçado"

Bumlai se diz "injustiçado"

Hédio Ferreira Junior Especial para o Correio
postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Ao se apresentar como um homem de princípios, responsável por trabalhar pelo progresso do Brasil e injustiçado pelas investigações da Operação Lava-Jato, o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rompeu o silêncio mantido durante toda a sessão da CPI do BNDES na Câmara dos Deputados para reclamar das acusações que vem sofrendo.

Bumlai está preso em Santa Catarina desde a semana passada, sob a suspeita de praticar tráfico de influência em órgãos e instituições do governo federal e intermediar um empréstimo de R$ 60 milhões do Banco Shahin no BDNES. A instituição financeira estava quebrada e, mesmo assim, conseguiu realizar a operação e obter facilitações e vantagens. Suportado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ouvido pela comissão na condução de investigado, ele evitou responder as perguntas e acusações dos deputados na tarde de ontem.

;Fui responsável pela construção da primeira linha do metrô de São Paulo, pela Praça Roosevelt e por 600km de via permanente da Ferronorte (criada para ligar o Norte do país ao Porto de Santos). Perdi horas para trabalhar por esse país e disso ninguém fala;, reclamou.

O empresário tinha trâmite livre no Palácio do Planalto diante da sua proximidade com o ex-presidente Lula. Durante todo o tempo que ouvia em silêncio as perguntas e acusações feitas pelos parlamentares, ele os fitava nos olhos e mantinha apoiadas as duas mãos sobre a mesa. Não respondeu a nada que lhe foi perguntado.

Em alguns momentos, esboçava um leve sorriso, noutros discordava do que ouvia, mudando as feições. Por diversas vezes foi chamado de bandido e criminoso. ;Tenho um nome: José Carlos. Não sou ;o amigo do Lula;;, disse, sobre as referências que eram repetidas pela sua relação pessoal com o petista.

Surpresa
O presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), até tentou convencê-lo a responder os questionamentos minutos antes do início da sessão, e se surpreendeu quando o pecuarista foi além da repetição constante da frase ;sob a orientação dos meus advogados, vou me reservar ao direito de ficar calado;.

Rotta, porém, acha que Bumlai perdeu a oportunidade de se explicar. ;Agora, vou pedir ao juiz Sérgio Moro o compartilhamento do depoimento dele em Curitiba;, avisou. A CPI deve ter os trabalhos prorrogados por mais 30 dias. Pelo prazo inicial, a comissão precisa ser encerrada na sexta-feira. A solicitação foi feita à Mesa Diretora da Câmara.



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