Melhor só que a Ucrânia

Melhor só que a Ucrânia

postado em 02/12/2015 00:00

O Brasil de Dilma Rousseff está fazendo feio. Entre as 42 nações que já divulgaram o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, o país, com retração de 4,5% ante o mesmo período de 2014, só conseguiu vencer a Ucrânia, que vive um guerra civil e tombou 7%. ;Não há nada a comemorar no Brasil. Todos os indicadores que compõem o PIB, a começar pelos investimentos, que encolheram 15%, estão muito ruins;, disse Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating e responsável pelo levantamento.


Segundo o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, Neil Shearing, a recessão se agravou no Brasil devido ao colapso na demanda doméstica e da confiança. ;Infelizmente, há poucos sinais de que as coisas vão melhorar no último trimestre. A inflação, que está em 10%, não cederá fácil, devastando a renda das famílias. A Operação Lava-Jato, que investiga a corrupção na Petrobras, continua a envolver um número crescente de políticos e de líderes empresariais, o que está paralisando o setor produtivo;, afirmou. ;A única esperança (para os otimistas) é que as coisas têm sido tão ruim neste ano, que não pode piorar em 2016;, emendou.


Na avaliação da gerente a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, o agravamento das crises econômica e política não só afetaram o resultado do PIB do terceiro trimestre como continuarão prejudicando a economia nos próximos meses. ;As turbulências política e econômica têm impacto nas atividades. Só não temos como mensurar quanto foi. Mas afetam;, disse. Ela admitiu que a retração verificada entre julho e setembro foi maior e generalizada, pois tudo jogou contra: a inflação, os juros altos, o crédito caro e escasso, o desemprego, a renda em baixa e a alta do dólar.


Cada vez mais acuado pelo turbilhão de escândalos de corrupção do governo e sem capitalizar bônus do ajuste fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não comentou o péssimo desempenho do PIB. Ele apenas recomendou a seus assessores que liberassem um documento com avaliações sobre a economia. ;O desempenho do PIB tem sido, de modo geral, afetado pela incerteza de natureza econômica e não econômica (Operação Lava-Jato) que persiste há vários meses no Brasil, além do natural processo de reequilíbrio pelo qual passa a economia brasileira em consequência da queda dos preços das commodities e do fraco nível da atividade econômica mundial, com a decorrente queda da confiança de empresas e consumidores;, assinalou.


;A recuperação da confiança dos agentes econômicos é fator indispensável para a reversão do cenário menos favorável em que tem se movido a economia brasileira nos últimos trimestres, notadamente a queda do investimento, que persiste desde 2013;, completou. (RH)





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