Renda derruba serviços

Renda derruba serviços

» CELIA PERRONE
postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)



O setor de serviços, que representa 71% no Produto Interno Bruto (PIB), na ótica da oferta, pesou fortemente no resultado do terceiro trimestre. Na comparação de julho a setembro deste ano contra o mesmo período de 2014, caiu 2,9%, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, destacou que os segmentos de comércio (atacadista e varejista) e de transportes, principalmente o de cargas, foram os que mais impactaram o setor.


Na avaliação economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes, o fraco desempenho da economia, fez com que o setor comercial tivesse o pior desempenho desde 1996, quando houve a reformulação das contas nacionais. ;Mais uma vez, o desempenho do comércio (-9,9%) só não foi pior que o da indústria de transformação (-11,3%);, lamentou. Segundo ele, para não ser o maior fracasso da história, desde que começou a ser medido, em 1948, o PIB do setor teria que cair apenas 2% nos três últimos meses do ano, o que não vai ocorrer. A expectativa da CNC é de recuo de 8%, que, uma vez confirmada, superará a maior queda de 1990 (-6,2%).


Entre o item ;outros serviços;, da pesquisa do IBGE, com peso de 17% na economia, a alimentação fora de casa teve destaque negativo. ;Comer fora caiu devido à menor renda das famílias e ao aumento dos preços;, explicou.


Que o diga Francisco Braga, 61 anos, dono de um restaurante de comida chinesa desde 1997. ;Estou vivendo o ano mais difícil da minha vida;, admitiu. Para reduzir custos, ele já demitiu dois dos quatro motoqueiros que faziam entregas, uma cozinheira e dois auxiliares de cozinha. Além disso, desligou um dos quatro freezers e não abre mais às segundas-feiras.


A economista do IBGE Amanda Tavares ressalta que houve forte redução na prestação de serviço às famílias. ;Nesse campo se inserem saúde, educação, mercantil, cabeleireiros entre tantos outros;, destacou. O dono de salão de beleza Alessandro Maciel sentiu na pele o encurtamento da renda familiar. Há cinco anos, quando montou o negócio, festejava todo ano crescimento. Neste, além de não crescer, notou uma queda de, pelo menos, 30% no movimento. ;Olha que 90% da minha clientela é composta de funcionário público, que não sofre com a questão de desemprego, mas estão segurando o dinheiro com medo de que a recessão piore;, constatou. (Colaborou Rosana Hessel)




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