Consumo do governo cresce 0,3%

Consumo do governo cresce 0,3%

Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, despesas para sustentar a máquina governamental têm queda de 0,4% - um recuo insuficiente para equilibrar as contas públicas, segundo especialistas. Nos investimentos, contudo, houve forte redução

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
(foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)



O consumo do governo aumentou 0,3% no terceiro trimestre em relação ao período imediatamente anterior, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da elevação, quando confrontado com o resultado de julho a setembro do ano passado, o indicador recuou 0,4%, a quarta queda consecutiva na comparação anual. Para especialistas, essa redução ainda é insuficiente para equilibrar as contas públicas e só mostra que o a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal ainda não fizeram os cortes necessários para reequilibrar as finanças do Brasil.


A gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, detalhou que a queda do consumo no governo na comparação anual é fruto de um esforço das autoridades para contingenciar despesas ao longo do ano. Entretanto, ela destacou que o total de gastos obrigatórios por lei, que representam 90% do orçamento da União, por exemplo, impedem cortes robustos. ;Esse tipo de despesa não diminuiu;, destacou. A política de redução de dispêndios do governo, ressaltou, afetou fortemente o nível de investimento público.

Engessamento

Dados do Tesouro Nacional apontam que os investimentos da União encolheram 40%. Conforme o IBGE, em 2014, os gastos públicos representaram 19,5% do PIB, maior percentual desde 2009. ;O consumo do governo teve queda, mas foi menor do que a do consumo das famílias;, disse Cláudia. O economista-chefe da GO Associados, Alexandre Andrade, explicou que a alta do consumo do governo na comparação com o trimestre imediatamente anterior é fruto das revisões estatísticas feitas pelo IBGE e não significa que as despesas públicas voltaram a crescer.


Ele ressaltou, no entanto, que os desembolsos com a folha de pagamento de servidores são crescentes e não podem ser revisados. Além disso, o nível de engessamento do orçamento federal, de estados, de municípios e do Distrito Federal impede que cortes sejam feitos. ;Essas obrigações legais impedem que os governos consigam, de fato, economizar. A tendência é que, nos próximos meses, a queda nas despesas ocorra, mas, como há muito pouco para cortar, chegaremos a um limite;, disse.


O especialista em finanças públicas Mansueto Almeida alertou que os problemas de caixa dos governos têm obrigado muitos deles a parcelar pagamentos, o que pode maquiar a redução de gastos. ;Não se sabe se estão cortando despesas ou só atrasando pagamentos. Isso precisa ser verificado com cuidado. Muitas prefeituras e governos estaduais carregam rombos orçamentários e terão problemas ainda mais graves no futuro.; (Colaborou Rosana Hessel)





Alerta da Moody;s
A perspectiva para os estados e municípios em 2016 é negativa, refletindo o impacto da recessão sobre a arrecadação e o crescimento da dívida, afirmou, em nota, a agência de classificação de risco Moody;s. Para a agência, a economia vai se contrair mais em 2016, reduzindo a receita dos governos regionais. Consequentemente, a relação entre dívida e receita irá subir para quase 130%, de 125% em 2015. Ontem, técnicos de outra grande agência, a Standard & Poor;s, iniciaram conversas com autoridades brasileiras para avaliar a situação do país. Em outubro, a S tirou o grau de investimento do Brasil.




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