Fronteiras para segurar os médicos

Fronteiras para segurar os médicos

postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Adalberto Roque/AFP - 20/7/15
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(foto: Adalberto Roque/AFP - 20/7/15 )


Preocupado com a ;fuga de cérebros; pela qual acusa os Estados Unidos e outros países, Cuba restabeleceu as restrições de viagens ao exterior para os médicos. Meses depois de ter revogado os trâmites vigentes por décadas para a autorização, no marco da abertura promovida pelo presidente Raúl Castro, o regime comunista de Havana reage ao que classifica como uma ofensiva dos EUA para atingir um setor crítico do país ; a saúde pública. Cerca de 3 mil profissionais cubanos que abandonaram missões sanitárias na América Latina estão atualmente na Costa Rica esperando permissão para emigrar.

;É preciso lembrar que o governo americano, historicamente, tem usado sua política migratória como arma contra a revolução cubana e, por interesse político, tem estimulado a emigração de cubanos;, diz uma proclamação do governo publicada no Granma, o diário do Partido Comunista de Cuba. De acordo com as autoridades da área, os serviços de saúde da ilha foram ;seriamente afetados; pelo grande número de médicos e outros profissionais qualificados do setor que deixaram o país desde 2013, quando foram suspensos os trâmites burocráticos impostos aos cidadãos interessados em viajar para o exterior.

Preocupado com o impacto de médio e longo prazos do êxodo, o regime comunista anunciou em setembro um perdão para os médicos que tenham desertado e tenham interesse em voltar para o país. Segundo as estimativas oficiais, são cerca de 50 mil os profissionais de saúde engajados atualmente em ;missões internacionalistas; de assistência sanitária em 68 países ; inclusive o Brasil, que conta com cubanos no programa Mais Médicos. Metade do contingente é constituído por médicos.

;O governo da República de Cuba expressou sua preocupação e vem mantendo contato com os países envolvidos, na busca por uma solução rápida e adequada;, diz o comunicado publicado pelo Granma. Embora se refira diretamente aos países de destino das ;missões internacionalistas;, o governo de Havana acusa os EUA de estimularem o êxodo. A legislação americana, restritiva à admissão de imigrantes, garante visto automático de residência permanente aos cubanos que chegam ao país.

Os opositores do regime comunista, porém, argumentam que os médicos e outros profissionais qualificados deixam o país por serem mal remunerados. Enquanto isso, denunciam, o governo lucra com a remuneração recebida dos governos com os quais firma acordos de assistência médica.

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