Feijões "mágicos" para vencer a seca

Feijões "mágicos" para vencer a seca

postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Marvin Recinos/AFP)
(foto: Marvin Recinos/AFP)


;Estes feijões são mágicos, porque eles vencem secas.; A avaliação, feita à agência de notícias France-Presse, é de Manuel Ceren, um dos agricultores de El Salvador que estão testando uma versão híbrida do grão produzida por cientistas salvadorenhos, colombianos e hondurenhos. Na vila de Quezaltepeque, 30km ao norte de San Salvador, Ceren e 13 outros cooperados se sentem muito felizardos de serem os primeiros a usar o feijão desenvolvido para resistir às mudanças climáticas.

Orgulhosos, eles mostram uma plantação vasta de quase 1 hectare, que impressiona os visitantes. ;Nós fomos muito cuidados com o experimento inicial desses feijões, que foram atingidos por uma seca de 15 dias e, depois, por duas tempestades;, conta Baltazar Garcia, o gerente da fazenda onde os testes são feitos. ;Algumas pessoas nos chamaram de loucos, mas hoje eles apreciam nossa colheita;, completa.

O tipo de feijão-vermelho que eles plantaram foi criado com apoio do Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal (Centa) de El Savador. O grão ; também resistente a um vírus que causa a praga do mosaico amarelo, transmitido por moscas para ; não foi resultado de engenharia genética, mas um produto da hibridização, técnica que combina duas formas de plantas naturalmente existentes. ;Você poderia dizer que é a simples fertilização cruzada das plantas do feijão-vermelho e do feijão-preto num processo que, nesse caso, levou cinco anos. Nesse tempo, selecionamos e descartamos plantas até que a variedade desejada fosse criada;, explica o pesquisador Aldemaro Clara, pesquisador do Centa.

O projeto de pesquisa, contudo, foi iniciado há mais tempo, cerca de 10 anos atrás, quando, por meio de fazendeiros, cientistas da Centa souberam que algumas plantas pareciam mais resistentes a climas extremos, dando início aos estudos. Os testes acontecem logo após uma prolongada seca que atingiu a América Central este ano, causando grandes prejuízos da Costa Rica à Guatemala. Estima-se que a escassez de água tenha tornado 2,3 milhões de pequenos agricultores da região dependentes da ajuda do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas.

;Nossa missão é produzir sementes resistentes às mudanças climáticas, o que, nesta região, signifca altas temperaturas, secas prolongadas e estações de chuva muito fortes;, afirma Rolando Ventura, também pesquisador do Centa. Centros de Pesquisa de outros países, como Guatemala e Nicarágua, também estão conduzindo experimentos, em alguns casos, com variedades diferentes de feijão. E há mais pesquisas sendo desenvolvidas para outras plantas, como milho e tomate. Nessa última nação, os testes também têm deixado os agricultores esperançosos. ;Aqui, quase nunca chove. Nós conseguimos produzir o feijão aguando-o apenas uma vez a cada 12 dias. Estou maravilhada com essa semente porque ela se adapta a um clima muito seco;, conta a nicaraguense Candida Lazon.

"Aqui, quase nunca chove. Nós conseguimos produzir o feijão aguando-o apenas uma vez a cada 12 dias. Estou maravilhada com essa semente;

Candida Lazon, gricultora nicaraguense

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