Qualidade de vida e saúde fortalecem o DF

Qualidade de vida e saúde fortalecem o DF

Levantamento do IBGE indica redução nas mortes de crianças e jovens brasilienses desde 1984. Melhorias na higiene, no saneamento básico e na renda são, segundo especialistas, determinantes para a mudança de cenário

» OTÁVIO AUGUSTO » ADRIANA BERNARDES
postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 30/4/11)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 30/4/11)



Apesar do momento de crise, os avanços socioeconômicos nas últimas décadas contribuem para o recuo das mortes na infância e na juventude no Distrito Federal. Em 30 anos, a mortalidade infantil caiu 56,4%, saindo de 1.191 casos, em 1984, para 519, em 2014. A capital também está entre as unidades federativas com redução significativa de óbitos de jovens por causas violentas ; acidentes e homicídios ; na última década. Os dados estão na pesquisa de Registros Civis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acaba de ser divulgada.

Segundo o estudo, em 1984, 19,3% das mortes em Brasília eram de crianças com menos de 1 ano. Em 2014, elas representaram 4,4%, uma redução de 14,9 pontos percentuais. Apesar da conquista, o DF ocupa o 14; lugar no ranking nacional. O indicador obtido aqui é resultado de um conjunto de políticas públicas e de mudanças de hábitos ligados à higiene. Pediatras ouvidos pelo Correio destacam o programa de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) e o Saúde da Família como essenciais no processo para salvar a vida de recém-nascidos.

Políticas públicas

Atualmente, o governo oferece, gratuitamente, 25 vacinas. ;A principal mudança está ligada ao comportamento dos pais. O pré-natal, a vacinação e o aleitamento materno garantem boa saúde aos bebês e, dessa forma, a redução da mortalidade;, avalia a coordenadora da pediatria da Secretaria de Saúde, Carmem Martins. ;As internações reduziram. Não temos casos de desnutrição. O que temos, hoje, são doenças sazonais;, ressalta Carmem.

Marcos Junqueira, integrante da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cita, além da imunização, a importância do investimento em saneamento básico. ;Houve avanços nesse sentido, mas ainda estamos longe do ideal, uma vez que ainda existem cidades que utilizam fossa e não têm acesso à água de boa qualidade;, pontua. Para o pediatra e infectologista Bruno Vaz, a melhora da qualidade de vida e o avanço tecnológico também contribuíram para o recuo da mortalidade infantil. ;O controle das doenças ficou mais refinado e criterioso. Dessa forma, detectamos patologias mais rapidamente.;

Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome alertou para a queda dos índices. A autarquia federal argumentou que a conquista resulta de um conjunto de estratégias de políticas públicas implementadas nos últimos 12 anos, como os programas Bolsa Família e Saúde da Família.

Um estudo publicado pela revista científica britânica The Lancet, em 2013, destacou as taxas alcançadas pelo Brasil e evidenciou a importância da estratégia dos programas sociais, que, segundo a publicação, têm dado resultado na redução da mortalidade das crianças brasileiras. De acordo com a pesquisa, as políticas públicas contribuíram para a redução em 19% nas mortes de meninos e meninas de até 5 anos. Os números mostram que a queda foi ainda maior quando se considerou a mortalidade por causas específicas, como desnutrição (65%) e diarreia (53%).

Jovens


A redução da mortalidade entre a faixa etária de 15 a 24 anos, na última década na capital federal, também tem relação com a melhoria da qualidade de vida de 2004 a 2014. Segundo o IBGE, o DF está entre as unidades da Federação com queda significativa nos números de mortes violentas, tanto na população feminina (9,8%) quanto na masculina (13,9%). Eles, como de costume, pertencem à parcela de habitantes mais vulnerável ; representam 85,7% dos óbitos entre jovens. Aqueles de 15 a 24 anos registram 30,3% dos casos.

Na avaliação do consultor em segurança pública George Felipe Dantas, é impossível determinar as causas das reduções das mortes entre os jovens no DF sem uma pesquisa específica. Mas ele acredita que alguns fatores podem ter contribuído para esse resultado, como a consolidação das regiões administrativas e a maior presença do Estado; o aumento salarial das famílias nos últimos anos; e o fato de a capital ter, historicamente, uma das rendas per capita mais altas do país.

Segundo Dantas, o poder aquisitivo é um fator importante, pois garante mais acesso a segurança, saúde, educação, oportunidades e lazer. ;O DF passa por um processo de consolidação das regiões administrativas. E isso pode favorecer a redução da violência entre jovens;, conclui.


Balanço


Confira alguns dados do Levantamento de Estatísticas de Registro Civil do IBGE

Redução da mortalidade em 30 anos (mortes de crianças menores de 1 ano):


Unidade da Federação - Em 1984 - Em 2014 - Variação (%)
; 1; Paraíba - 8.921 - 676 - -92,4
; 2; Pernambuco - 19.160 - 1.569 - -91,8
; 2; Alagoas - 6.640 - 538 - -91,8
; 3; Ceará - 8.192 - 1.245 - -84,8
; 4; Rio Grande do Norte - 2.848 - 439 - -84,5
; 5; Bahia - 13.577 - 2.440 - -82
; 14; Distrito Federal - 1.191 - 519 - -56,4

Guarda compartilhada

Unidade da Federação Variação sobre total de divórcios (%)
; Brasil - 7,52
; Maranhão - 12,39
; Amazonas - 10,85
; Paraná - 10,67
; Distrito Federal - 10,43


Perfil

Em uma década, a sociedade brasiliense se modificou em vários aspecto
s

; Casamento homoafetivo: em 2014, 129 pessoas do mesmo sexo se casaram. O número representa 0,7% do total de 18.508 matrimônios

; Matrimônio: a idade média dos cônjuges solteiros aumentou nas últimas décadas, ou seja, as pessoas estão casando mais tarde. Em média, 30 anos para os homens; e 27 para as mulheres

; Divórcios: o DF teve 3,74 separações para cada grupo de mil habitantes, o maior índice do país. O grupo etário que mais desmanchou casamentos foi entre 35 e 39 anos, para os homens; e 30 e 34 anos, para as mulheres

; Filhos: a capital federal é a quarta unidade da Federação com o maior percentual de guardas compartilhadas. No total, 10,4% dos filhos de pais separados são criados nesse sistema


; Partos: aumentou em 4% o número de partos rea

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação