Da casa própria ao automóvel

Da casa própria ao automóvel

Seguros massificados são voltados para o grande público e registram um crescimento importante, mesmo em tempos de crise. Ao contrário do que muitos pensam, a cobertura residencial não está vinculada ao valor do imóvel

postado em 02/12/2015 00:00

Os seguros massificados são responsáveis por proteger patrimônios específicos, como automóveis, residências, e até mesmo bens semiduráveis e eletroeletrônicos. ;São voltados para a massa, por isso têm uma quantidade muito grande de segurados que adquirem esse tipo de proteção;, explica o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Paulo Marraccini.
Por serem interessantes a praticamente todos os brasileiros, esses segmentos têm grande potencial de crescimento entre os produtos do mercado segurador. A avaliação é comprovada pelos resultados do setor, que, apesar da crise econômica, mostra crescimento de 6,5% nos nove primeiros meses de 2015, na comparação com o mesmo período do ano passado. A arrecadação do mercado de seguros gerais foi de R$ 60,6 bilhões, em 2013, para R$ 65,3 bilhões, em 2014.
O número é expressivo, ainda mais quando comparado ao desempenho dos demais segmentos da economia. Mas não tão animador como o dos anos anteriores, quando ficava sempre acima de dois dígitos ; padrão que foi quebrado, pela primeira vez, em 2014.
A margem de crescimento nos seguros massificados ainda é grande. Basta observar que 65% dos brasileiros não contam com nenhum tipo de seguro. Há 58 milhões de residências sem cobertura e 38 milhões de automóveis des-protegidos.

cuidando do imóvel
O seguro residencial é uma modalidade com grande potencial de crescimento. Apesar de ser responsável pelo pagamento de R$ 2,2 bilhões em prêmios por ano, o equivalente a até 0,5% dos capitais assegurados, em média, o produto tem muito espaço a conquistar no mercado. Dos 68 milhões de domicílios no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 9,1 milhões (13,3%) contrataram o produto. ;A base de cobertura dá uma clara imagem do potencial do mercado e confirma a condição de país subsegurado em ramos elementares;, afirma Paulo Marraccini, presidente da FenSeg.


Acostumados com o seguro de carros, cujos preços costumam variar entre 3% e 5% do valor do veículo, os consumidores têm uma ideia errônea sobre os equivalentes residenciais. ;As pessoas imaginam que o residencial também ficará nessa faixa, mas em relação ao preço do imóvel. Mas, na realidade, é um décimo do que se paga pelo de carros;, esclarece o presidente da FenSeg. ;Desmistificar isso é um dos desafios na área, porque confunde-se o produto com o seguros habitacional e condominial obrigatórios;, detalha Marraccini. Para ele, o grande trunfo do seguro residencial é o valor reduzido. Na média, um bom seguro de residência custa R$ 250 por ano. Valor suficiente para proteger os proprietários de desembolsos que podem sair caros, como as despesas de reconstrução do imóvel danificado ou destruído por incêndios, queda de raios e danos elétricos.
Além dessas garantias, o seguro oferece coberturas adicionais, como despesas de aluguel, se houver dano que torne o imóvel incapaz de ser habitado; danos de causas naturais, como vendaval, furação, tornado, queda de granizo e desmoronamento, roubo e furto de bens; e responsabilidade civil familiar, por exemplo.
Além da falta de conhecimento sobre o preço acessível do produto, um problema frequente é a confusão com o seguro habitacional. Para esclarecer essa e outras questões, a FenSeg tem investido em guias práticos voltados para as seguradoras e cartilhas para os consumidores. A ideia é explicar, passo a passo, o procedimento para adquirir um seguro e como usá-lo da melhor forma.

O seguro mais conhecido
O seguro massificado mais conhecido pelos brasileiros é o de automóveis. O receio de ver um patrimônio conquistado com esforço sofrer algum tipo de dano motiva milhões de consumidores a optarem por essa modalidade. ;Dá uma tranquilidade saber que eu terei a quem recorrer caso aconteça algum acidente;, conta a funcionária pública Tereza Borges, 48 anos. Há mais de 20 anos ela procura manter o seguro do carro.


Uma experiência ruim convenceu Tereza Borges de que é desaconselhável abrir mão dessa facilidade. ;Eu morava em uma cidade de interior, e, como não tinha acontecido nada com o carro durante o ano em que paguei, resolvi não renovar o seguro;, lembra a motorista. Em pouco tempo, a funcioária pública se arrependeu da decisão. Uma semana depois do vencimento do contrato, um motociclista alcoolizado furou o sinal vermelho e bateu no carro de Tereza Borges. O acidente redundou em perda total do veículo. Sem nenhum ressarcimento e com os escombros vendidos para o ferro-velho, Tereza decidiu nunca mais ficar sem seguro. ;Foi uma experiência muito ruim, que não quero repetir;, desabafa. Para ela, o seguro se tornou um item indispensável.
Diversos fatores influenciam no preço da apólice do seguro de veículos. Uma das principais variáveis consideradas pelas seguradoras na hora da contratação é o perfil do motorista. Condutores com menos experiência acabam se tornando um risco maior, por se envolverem em mais acidentes. Para eles, o seguro sai mais caro.


Outro critério levado em conta na precificação da apólice é o índice de violência na região de residência do proprietário do veículo. O aumento no índice de roubo e furto de carros no local tem impacto nas carteiras de clientes das seguradoras e pode tornar o valor da apólice mais alto.
Contudo, se o veículo tiver acessórios de segurança, o seguro pode ficar mais em conta. Alarmes sonoros, travas de segurança, rastreadores e outros equipamentos contribuem para descontos aos clientes.

Seguro de garantia estendida
Utilizado para ampliar o prazo da garantia legal e contratual de produtos como eletrodomésticos, eletroportáteis, eletrônicos e celulares, o seguro de garantia estendida está presente em 100 milhões de itens vendidos pelo varejo. Em 2014, a modalidade injetou R$ 3,1 bilhões na receita das seguradoras, alta de 7% frente a 2013. A expectativa da CNSeg é que 34 milhões de consumidores adquiram o produto este ano.
Ao aceitar o seguro de garantia estendida, o cliente recebe um bi-lhete, que equivale a uma apólice, no qual constam o prazo e o tipo de cobertura contratado. Caso necessite acionar o seguro, ele deverá entrar em contato direto com a empresa seguradora para reparo ou troca do produto danificado.
As redes varejistas estão habilitadas a comercializar o produto em nome da empresa que oferece a cobertura extra. Porém, ele só começa a valer após o fim do prazo da garantia legal e contratual do produto. Antes desse período, a responsabilidade pela troca é do fabricante.
É preciso ficar atento às proibições relativas ao produto, como a renovação automática do seguro sem o consentimento do cliente, e a venda casada ; quando o varejista condiciona a compra do produto à contratação do seguro. A concessão de descontos no preço dos produtos p

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