GDF busca mais recursos para 2016

GDF busca mais recursos para 2016

Governador destaca a redução do rombo nas contas de R$ 6,5 bilhões para R$ 3 bilhões, graças a, segundo ele, aumento da arrecadação e corte das despesas. Mas admite que ainda há gargalos em setores importantes, como educação, saúde e transportes

» HELENA MADER
postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)


As derrubadas na orla do Lago Paranoá, a redução de homicídios e o lançamento do programa de parcerias público-privadas foram as principais realizações do primeiro ano de gestão do governador Rodrigo Rollemberg. Ontem, ele reuniu todo o secretariado para apresentar um balanço do trabalho à frente do Palácio do Buriti. Mais uma vez, adotou o discurso de herança maldita e afirmou que recebeu um ;governo de terra arrasada;, mas prometeu avanços para 2016. Setores importantes, como saúde, educação e transporte, não tiveram muito espaço no balanço apresentado. Rollemberg reconheceu que ainda existem gargalos nessas áreas. Sobre a questão econômica, afirmou que o Executivo cortou despesas e aumentou a arrecadação, mas ainda enfrenta um rombo de R$ 3 bilhões. O governador deu nota sete para o primeiro ano de gestão. ;Mas prefiro que a população faça essa avaliação.;

A apresentação das ações de 2015 ocorreu no auditório do Memorial JK. Além de todo o primeiro escalão, secretários adjuntos, presidentes de empresas e de agências vinculadas ao governo participaram do anúncio. Logo no início do evento, Rollemberg afirmou que assumiu o Buriti com um rombo de R$ 6,5 bilhões. ;Isso exigiu muito sacrifício do governo e da população, mas estamos obtendo sucesso. Reduzimos o deficit e estamos caminhando para o equilíbrio financeiro.; Familiares de Rollemberg, como a primeira-dama, Márcia, e a mãe do governador, Teresa, assistiram à apresentação.
O chefe do Executivo disse que houve um esforço para reduzir as despesas durante o primeiro ano do mandato. ;Cortamos R$ 1 bilhão em despesas de custeio, como viagens, consultorias e cargos comissionados.; Mas declarou que ainda existe um deficit de R$ 3 bilhões. De acordo com a área técnica do GDF, com a crise macroeconômica, o governo deve manter a dificuldade para fechar a folha de pagamento em 2016.

Entre os principais pontos apresentados pelo governo, estão o lançamento do aplicativo Siga Brasília e a renegociação de R$ 1 bilhão de débitos inscritos em dívida ativa. Na área social, o governador listou a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, a reforma de conselhos tutelares e a criação da residência inclusiva para jovens e adultos com deficiência.

O GDF liberou R$ 33 milhões para projetos do Fundo de Amparo à Cultura e licitou as obras para reforma do Espaço Renato Russo. ;A cultura é um dos pilares do modelo de desenvolvimento sustentável que defendemos;, argumentou Rollemberg. Os índices positivos da segurança foram o ponto de maior destaque da apresentação. Graças ao programa Viva Brasília Pacto pela Vida, houve uma redução de 14% nos homicídios. Esse é o principal trunfo do Buriti para mostrar serviço em 2015. ;Foram 640 homicídios em 2014 e 548 até o fim de novembro de 2015. Esperamos fechar o ano com menos de 600 mortes.; Sobre o programa de parcerias público-privadas, ele garantiu que muitas empresas têm procurado o Buriti com interesse nas PPPs e declarou que é grande a expectativa do GDF com relação aos acordos de gestão com a iniciativa privada.

Gargalos

No balanço apresentado ontem, havia poucas realizações nas áreas de saúde, educação e transportes. A retomada da construção do Bloco 2 do Hospital da Criança e a redução de 18% nos casos de dengue foram mostradas como as grandes ações na área de saúde. Desde o início do ano, os hospitais públicos enfrentam problemas como desabastecimento de medicamentos, falta de pessoal, centros cirúrgicos fechados, problemas na UTI, e em setores como pediatria, cardiologia, oncologia e cirurgias eletivas.

O governador admite o gargalo na área. ;Reconhecemos os problemas na saúde. Quando assumimos, não havia remédio nas prateleiras dos hospitais e nós tínhamos um deficit financeiro enorme ; só na saúde a dívida chegava a R$ 600 milhões. Estamos equilibrando as contas e vamos garantir a ampliação da rede de assistência, a melhor gestão dos recursos humanos e dos insumos, para que a gente possa garantir um serviço melhor para a população.;

A especialista em saúde coletiva Ana Maria Costa, diretora executiva do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde, critica as políticas adotadas na área em 2015. ;A redução da dengue não é um feito do sistema de saúde, mas, principalmente, da população, que combateu o mosquito. Existe uma desorientação do projeto político de saúde e um distanciamento do modelo preconizado pelo SUS;, alega a médica. ;O governador prometeu universalizar o acesso à saúde em Brasília. Mas ele não expandiu as portas de entrada no SUS e não incrementou a atenção básica.;

Na área de educação, o balanço do GDF ressaltou a construção de 13 novas creches, mas o projeto começou ainda na gestão de Agnelo Queiroz. Rollemberg também deu destaque à reconstrução do Centro Educacional 7 de Ceilândia e à realização de simulados para o Enem como feitos na área de educação este ano. No transporte, o GDF construiu quatro terminais rodoviários, concluiu o projeto executivo do BRT Norte e restaurou a rodovia DF-035. ;Tenho convicção de que, até meados do ano que vem, a população vai sentir melhoras no transporte. A gente pretende implantar o bilhete único em 2016;, garantiu o governador.



Expansão do metrô

O governador Rodrigo Rollemberg e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, assinaram, na tarde ontem, um documento fidelizando o compromisso de retomada da expansão das linhas 1 e 2 do metrô até a Asa Norte; a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o Plano Piloto e o Eixo Monumental; e a pavimentação de vias para o trânsito de pedestres, ciclistas e motoristas.

O recurso, de R$ 103 milhões, é oriundo da União ; fruto do PAC da Mobilidade ; e será repartido em R$ 77 milhões destinados às obras do metrô e R$ 26 milhões ao VLT.

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