PMDB cada vez mais rachado

PMDB cada vez mais rachado

Renan e Temer trocam farpas publicamente por causa da cisão interna em torno da troca do líder da legenda na Câmara

» PAULO DE TARSO LYRA
postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
(foto: Jane de Araújo/Agência Senado)


A decisão da Executiva Nacional do PMDB de vetar a filiação de novos políticos para brecar a entrada de aliados do ex-líder na Câmara Leonardo Picciani (RJ) evidenciou ainda mais a divisão interna da legenda. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticaram com rispidez a postura da Executiva. ;O PMDB sempre foi grande por não ter donos nem coronéis;, disse Renan. ;O PMDB nunca rejeitou a entrada de ninguém. Essa decisão é surpreendente;, completou Marcelo Castro.
O vice-presidente Michel Temer respondeu no mesmo tom. ;É correta a afirmação de que o PMDB não tem dono. Nem coronéis. Por isso, suas decisões são baseadas no voto. O resultado apurado na reunião de hoje da Executiva foi de 15 votos a favor da resolução e dois contrários, resultado revelador de ampla maioria. Decisão, portanto, democrática e legítima;, devolveu.
O embate em torno das novas filiações que podem fazer com que Picciani retome o cargo de líder no lugar do mineiro Leonardo Quintão acabou virando pretexto para a guerra política travada entre o PMDB que apoia o Planalto e os peemedebistas que defendem o impeachment e o desembarque, representados, respectivamente, por Renan Calheiros e Michel Temer.
Para Renan, o PMDB tem errado muito nos últimos meses, especialmente após ter assumido a coordenação política de governo. ;Em vez de qualificarmos o debate político, optamos por assumir uma posição de RH (Recursos Humanos). Toda semana tinha alguém do PMDB com uma pasta embaixo do braço dizendo ;faltam 200 cargos, faltam 100 cargos;;. O presidente do Senado declarou ainda que a tradição democrática do PMDB estava sendo abandonada. ;Ulysses Guimarães deve estar se revirando no fundo do mar;, afirmou.

A afirmação de Renan não passou despercebida de Temer na nota oficial do partido. ;O deputado Ulysses Guimarães foi a maior liderança do PMDB. Qualquer jovem peemedebista sabe que seu desaparecimento se deu em um acidente em Angra dos Reis, em 1992. Seu corpo repousa no fundo do mar e devemos manter o respeito à sua história e sua memória, sem evocar seu nome em discussões que em nada enobrecem seu exemplo de retidão, honestidade e decência para todo o PMDB;.
Aliado de Temer na defesa de Quintão e do desembarque, o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima disse que o PMDB continua sendo uma legenda democrática aberta a quem quiser fazer parte dela. ;Mas para quem quiser mesmo. Não queremos ser uma legenda motel para abrigar pessoas com objetivo específico;, disse o peemedebista baiano.

Queixas


O abismo cada vez maior entre os peemedebistas tem preocupado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Temer, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e boa parte da bancada de deputados defendem o impeachment e o rompimento. A bancada de senadores e o PMDB do Rio estão alinhados com o Planalto.
Lula ligou para Renan na terça-feira, mesmo dia em que a Operação Lava-Jato devassou vários caciques do PMDB. Ele quer se encontrar com o presidente do Senado para analisar a crise. O petista tem diversas preocupações. A principal delas é assegurar que os senadores do PMDB deem sustentabilidade política ao governo.
O ex-presidente também tem ouvido queixas do ex-senador José Sarney, que tem pessoas próximas a ele investigadas na Operação Lava-Jato. Na operação de terça-feira, os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do senador Edison Lobão. Além disso, Sarney não tem gostado da postura da presidente Dilma Rousseff de aproximação com o governador do Maranhão, Flavio Dino.

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