Perda é grave, diz Levy

Perda é grave, diz Levy

postado em 17/12/2015 00:00

Garantir as receitas para o cumprimento da meta de superavit prevista na proposta orçamentaria de 2016 é a principal missão do governo depois de o Brasil perder o grau de investimento pela Fitch, destacou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Com um pé fora do governo desde que a presidente Dilma Rousseff não bancou a proposta de manter em 7% do Produto Interno Bruto (PIB) a meta de superavit primário para 2016, o ministro avaliou que a decisão da agência de classificação de risco é grave e precisa ser enfrentada com seriedade. ;O rebaixamento indica que nem tudo o que a gente precisa fazer vem sendo feito no passo necessário;, disse, em alusão à demora do Congresso em aprovar as medidas do ajuste fiscal.


A saída de Levy da Fazenda já é dada como certa por integrantes do governo e parlamentares. A percepção na equipe do ministro é que ele aguarda apenas a votação de projetos que considera importantes, como medidas provisórias que aumentam receita e as peças orçamentárias de 2016 ; e trabalha para que isso ocorra ainda neste ano. Em público, Levy não confirma a saída ; mas também não nega. ;Eu digo a verdade e repito o que eu digo. Quem quiser pode ajudar e a quem me ajudar, agradeço: continuo afastado do folhetim;, afirmou à Agência Estado. E acrescentou: ;O resto, I don;t care (eu não me importo).


Levy foi ontem ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), pedir apoio para acelerar a tramitação das medidas de ajuste fiscal. ;É focar no que tem de focar, votar o que é necessário, ter recursos para um desempenho fiscal compatível com uma dinâmica de dívida sólida, para todo mundo ter confiança no Brasil, continuar investindo aqui, as empresas oferecendo emprego e as pessoas encontrando oportunidades. É isso que a gente tem que fazer;, afirmou.


Apesar das críticas à demora do Legislativo, o ministro disse acreditar que os parlamentares cumprirão seu papel. ;O Congresso Nacional nunca deixou de responder aos anseios da população;, salientou. ;Em vista do rebaixamento, temos que partir em defesa do Brasil, temos que votar, tanto na Câmara quanto no Senado.;

Mudança da meta

Questionado sobre a alteração da meta de superavit primário para o próximo ano, que encolheu de 0,7% para 0,5% do PIB, Levy recuou no tom agressivo. Na segunda-feira, ele havia afirmado que a mudança seria um equivoco; ontem, disse que o mais importante é garantir o cumprimento do objetivo definido. Segundo o ministro, mesmo após a perda do selo de bom pagador, o país é avaliado por investidores estrangeiros como destino atraente para o capital. (AT)




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