Equipe da Fazenda prepara debandada

Equipe da Fazenda prepara debandada

Subordinados de Levy estão em rebelião diante do desrespeito com que ele vem sendo tratado pelo governo. Tarcísio Godoy e Marcelo Saintive ameaçam sair

» ANTONIO TEMÓTEO » ROSANA HESSEL
postado em 17/12/2015 00:00

Diante da decisão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de deixar o cargo o mais rapidamente possível ; a aposta no Palácio do Planalto é de que ele não chegará ao fim de janeiro ;, subordinados dele já começam a preparar o desembarque. Irritados com o descompromisso da presidente Dilma Rousseff com o ajuste fiscal, secretários e assessores não querem manchar o currículo e ser lembrados como integrantes de um governo que naufragou.


O primeiro a abandonar o barco foi Fabrício Valle Dantas Leite, que vinha respondendo pela função de adjunto da Secretaria Executiva da Fazenda. Ele foi exonerado, a pedido, no último dia 15. Ele deve ser substituído por Giovana Victer, que, até a semana passada, era secretária de Planejamento de Niterói (RJ). Mas fontes do governo garantem que ela pode assumir o comando da Secretaria Executiva no lugar de Tarcísio Godoy, que está em férias e já manifestou sua insatisfação no cargo. A confusão é tanta que o ministério se recusa a informar qual vaga Giovana realmente ocupará.


Outro que já está com o pedido de demissão pronto é o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, como informou ontem o Correio. Ele, que é muito próximo de Levy ; os dois trabalharam juntos na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro ;, vem criticando abertamente os desentendimentos dentro do governo para executar o ajuste fiscal. Desde que foi empossado, Saintive defendeu um corte drástico nos gastos para recuperar a credibilidade das contas públicas, mas sempre foi voto vencido.


Como secretário do Tesouro, cabe a Saintive formular as principais políticas para atingir o superavit primário (economia para pagamento de juros) e impedir o crescimento da dívida pública. Como a presidente Dilma tem escutado mais o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, na hora de definir as políticas de redução de despesas, em detrimento da opinião de técnicos do Tesouro, o secretário está desconfortável no cargo.

Acordo

;O quadro é de fim de festa na Fazenda;, disse um dos assessores mais próximos de Levy. ;Infelizmente, foi o governo, com suas escolhas erradas, que levou a essa situação;, acrescentou. Para ele, mesmo que o ministro negue publicamente que ainda não pediu demissão, é certo que ele sairá. Inclusive, Levy já teria recebido sinal verde do Bradesco, de onde saiu para entrar no governo, para retornar ao banco. ;Estamos falando de uma pessoa competentíssima, que foi humilhada por um governo medíocre;, emendou o técnico.


Para o economista Christopher Garman, da Eurasia Group, em Nova York, Levy não deverá deixar o governo antes da conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma. ;A potencial saída de Levy e o rebaixamento do país pela Fitch não são suscetíveis de alterar as chances de impeachment, mas a dependência da presidente de sua base de esquerda durante a batalha vai minar a capacidade de ela entregar um ajuste fiscal depois do processo;, afirmou. Pelas contas do analista, a coalizão mais à esquerda pode garantir até 130 dos 171 votos necessários para a presidente evitar o impedimento.






Tesouro Direto fica suspenso
O Tesouro Nacional foi obrigado a suspender as negociações com títulos públicos no Tesouro Direto, por toda a manhã de ontem, devido à forte oscilação das taxas de juros. Os investidores refletiam a perspertiva de rebaixamento do país pela Fitch, o que acabou se confirmando. De acordo com o órgão, o serviço foi normalizado por volta das 14h. Esse expediente, de acordo com os técnicos do Tesouro, é ;normal;, quando os preços variam muito ou há uma subida brusca nas taxas de juros.








Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação