Comida salva o comércio

Comida salva o comércio

Especialistas descartam que resultado positivo de outubro se repita em novembro e dezembro, devido à alta da inflação dos alimentos. Na comparação anual, houve queda de 5,6% no setor, a sétima taxa negativa consecutiva

» Simone Kafruni
postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

Surpreendendo o mercado, que apostava em números negativos, as vendas no varejo tiveram um suspiro em outubro e aumentaram 0,6% em relação a setembro, interrompendo uma sequência de oito meses de quedas seguidas. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado positivo, puxado pela alta de 2% em produtos alimentícios e bebidas e das vendas em hiper e supermercados, não deve se repetir, na avaliação de especialistas, porque a inflação de alimentos, em novembro, voltou a subir.

Em outubro, cinco dos oito segmentos pesquisados tiveram números positivos. Os destaques, além de alimentos, bebidas e supermercados, ficaram com tecidos, vestuário e calçados, com alta de 1,9% e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que aumentaram as vendas em 1,5%. Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes, os dados surpreenderam e muito. ;A gente se achava otimista calculando queda de 0,6% porque o mercado projetou um tombo maior, de mais de 1%. E veio um número positivo;, comentou.

Em compensação, na comparação com outubro de 2014, o volume de vendas do varejo diminuiu 5,6%, sétima taxa negativa consecutiva. O mercado previa queda de até 8,5% nessa comparação. Conforme Isabella Nunes, gerente da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, o desempenho de outubro não reverte a perda de 3,6% acumulada no ano. Em 12 meses, o tombo de 2,7% foi a maior perda desde janeiro de 2004.

Em comparação com outubro de 2014, as vendas do varejo caíram em todas as atividades, sendo que móveis e eletrodomésticos (-16,1%) e combustíveis
(-11,4%) foram os destaques negativos. ;A venda de móveis e eletrodomésticos está associada à disponibilidade de crédito, que está muito mais restrito. Já a redução no segmento de combustíveis ocorreu por conta dos reajustes, bem acima do aumento dos preços gerais;, explicou Isabella.

Metodologia
Na avaliação de Fábio Bentes, da CNC, o crescimento de 0,6% em outubro pode ser explicado pela metodologia utilizada pelo IBGE. ;O deflator que o instituto usa para o segmento de hiper e supermercados mostrou que a inflação no varejo nesse período foi de apenas 0,1%, a menor desde agosto de 2014 no segmento. Uma surpresa positiva, mas também resultado da fraca base de comparação. Como o segmento responde por 40% do varejo restrito, puxou o índice para cima;, analisou.

Apesar disso, Bentes não acredita em recuperação. ;A grande pergunta é: agora vai? Porque, para novembro, podemos esperar uma inflação forte que vai podar as asinhas desse crescimento;, projetou. Ele também ressaltou que, na comparação com outubro de 2014, todos os segmentos caíram.

;Não tem tendência aí porque em relação ao ano passado está tudo muito pior. A queda se acentuou. Não tem melhora mesmo, foi um respiro em outubro sobre setembro, que não vai se repetir em novembro;, garantiu. A previsão da CNC para o varejo restrito é de queda de 7,5% em 2015.



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