ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960, Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 17/12/2015 00:00
Quo usque tandem abutere, Camara, patientia nostra?

Por meio de manobra ladina e sub-reptícia, a Mesa Diretora da Câmara Legislativa conseguiu aprovar, em primeiro turno, alteração significativa na Lei Orgânica do Distrito Federal, abrindo a possibilidade de reeleição para os cargos de direção da Casa. O que à primeira vista pode ser interpretado como mudança sem maiores consequências para o Poder Legislativo local e para os cidadãos, de modo geral, esconde, de fato, estratégia capaz de provocar verdadeira reviravolta nas relações institucionais entre os Poderes e, de quebra, alijar o cidadão das principais decisões da CLDF.

Se, de um lado, a mudança aponta para aumento do poder de barganha do Legislativo frente ao Executivo, a mudança traz em si problema antigo e já experimentado por outras câmaras país afora: a formação de blocos monolíticos e fechados, capazes de tudo para permanecer indefinidamente no poder. Salienta-se, ainda, que a Presidência da CL está na linha direta de sucessão do governador.

De outro lado, o expediente de reeleição dos membros da Mesa não foi discutido nem com a comunidade, nem com as principais lideranças políticas da capital, limitando-se a debate interno, feito à meia-boca para não levantar muita poeira e suspeitas. O tema colocado na undécima hora para a apreciação logicamente não estava na pauta do dia, veio escondido na forma do tradicional jabuti, surgindo de supetão durante a votação de vetos.

Para alguns parlamentares presentes durante a votação, a medida representa golpe contra a democracia. Para uma Casa que tem sofrido críticas constantes da população, pelo modo de agir em dissonância com os eleitores e em proveito próprio, o instituto da reeleição só vai colocar mais lenha na ânsia de suas excelências por cargos, empurrando toda a Casa para permanente estado de pré-eleição, com cisões e manobras que não interessam à sociedade. Nesse jogo de xadrez, os primeiros para fora do tabuleiro político serão justamente os poucos que não concordam com as tramoias, incluídos aí todos os brasilienses. Até quando o Legislativo vai abusar da nossa paciência?



A frase que será pronunciada

;Esse projeto é um prêmio à ilicitude. Ele legaliza o dinheiro não declarado que brasileiros tenham no exterior, independentemente da origem. É um total desrespeito ao contribuinte honesto deste país.;

Reguffe, ao votar contra o PLC n; 186/15, que trata da repatriação de recursos mantidos no exterior



Atitude

; Por falar em Reguffe, ele é um dos poucos senadores que ignoram totalmente as verbas que lhes são de direito. Por isso gasta muito pouco com as eleições. Os votos vão para a atitude, não para os favores.

Boa vontade

; Enquanto o Orçamento de 2015 não estiver efetivado para 2016, os hospitais do DF penam. Quem viu o Hmib no auge e vê as dificuldades de hoje fica horrorizado. O Hospital de Base também é movido por boa vontade e verba mínima.

Massa de manobra

; Uma pena que o Sindicato dos Professores use a instituição para causas ideológicas. Certamente não representou toda a classe exibindo a opinião contra o impeachment da presidente. Quando um pai de aluno aceita a frase da campanha publicitária ;Mexeu com professor, mexeu comigo;, significa que o professor deve ter o reconhecimento pela responsabilidade de educar.

Inoperância

; Discussão acirrada entre pessoas na longa espera pelo transporte. Até agora a solução apresentada para as grávidas é usar repelente contra o Zika vírus, que traz danos cerebrais ao feto.

Muito pouco

; O outro assunto discutido é a falta de divulgação sobre o planejamento para a recuperação do Rio Doce. Até agora, a UnB e outras universidades do país constataram o que a empresa responsável pelo desastre não fez: presença de chumbo, ferro, manganês, arsênio e alumínio. A punição dos responsáveis é diretamente relacionada ao poder aquisitivo dos atingidos.

Cola

; Diminuiu bastante o movimento de jovens cheirando cola ou fumando crack no centro da cidade. Na periferia, a Polícia Militar tem apertado o cerco contra os traficantes.


História de Brasília

Não vamos confirmar a informação de que reina paz e tranquilidade em todo o país. Seria exagero dizer isso. Reina apreensão e desconfiança em toda parte e esperança de que tudo seja resolvido dentro da Constituição. (Publicado em (28/8/1961)



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