Corais se recuperam 17 anos depois

Corais se recuperam 17 anos depois

postado em 17/12/2015 00:00

Recifes de corais no Oceano Índico que haviam sido severamente danificados por um evento de aquecimento do planeta há 17 anos voltaram ao nível ótimo de saúde e têm potencial de se manter assim à medida que o nível do mar aumenta. Contudo, a boa previsão só se confirmará se eles escaparem dos impactos de futuros ciclos de calor, afirmaram cientistas da Universidade de Exeter na revista Scientific Reports.
Chris Perry, professor de Geografia da Faculdade de Ciências da Vida e Ambientais, mediu as mudanças em 28 recifes do Arquipélago de Chagos, um território britânico remoto no Oceano Índico, ao sul das Maldivas. Lá, 90% da cobertura de corais foram perdidos em 1998, quando a temperatura do mar aumentou para níveis sem precedentes. Diferentemente de recifes ao redor do globo, que sofreram ; e continuam sofrendo ; danos severos devido aos efeitos combinados de mudança climática e perturbações locais, os pesquisadores descobriram que as comunidades de corais no arquipélago se recuperaram rapidamente de um fenômeno conhecido como branqueamento.


O branqueamento dos corais é causado por altas temperaturas do mar e ocorre quando as algas que vivem dentro deles, fornecendo alimentação graças à fotossíntese, morrem. O coral, então, expele a matéria orgânica e, se não houver renovação em poucas semanas, ele mesmo acaba sendo destruído. ;Esses corais de Chagos estão escapando do que ocorre globalmente;, diz Perry. ;A maioria dos recifes do Caribe e de muitas áreas do globo perdem rapidamente a cobertura, e seu potencial de crescimento foi reduzido massivamente. Em contraste, esses corais se recuperaram muito rapidamente, e a explicação mais provável é seu isolamento relativo dos distúrbios causados por humanos;, diz.


;O potencial de crescimento de muitos corais aparentemente é algo bom, particularmente quando eles estavam sofrendo branqueamento. Contudo, essas mesmas espécies são as mais vulneráveis às altas temperaturas da superfície do mar. Há uma previsão de um grande aquecimento no início do ano que vem, e isso é um risco grande que eles sofrem;, alerta Nick Graham, pesquisador do Centro Ambiental da Universidade de Lancaster. ;Em curto prazo, há pouco o que se fazer para evitar esses eventos, mas limitar emissões futuras de CO2 deve proteger esses ecossistemas marinhos únicos. Proteger sistemas isolados como Chagos de impactos locais também é essencial;, observa.

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