Transição muito bem planejada

Transição muito bem planejada

Pais devem acompanhar a troca de ciclos na escola para que a mudança não provoque ansiedade nos filhos

» MARIANA NIEDERAUER ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

A transição do ensino educação infantil para o ensino fundamental é um dos marcos da trajetória escolar da criança. Ela passa de um espaço onde as brincadeiras eram o mais importante, contribuindo para o processo de socialização, e entra numa etapa em que o conteúdo formal começa a ser cobrado com um pouco mais de rigor. Cobrança que é ainda mais presente na mudança do primeiro para o segundo ciclo do ensino fundamental, quando o número de professores aumenta e a responsabilidade do estudante deve crescer na mesma proporção. Nesses momentos, é essencial que os pais acompanhem o desenvolvimento dos filhos na escola.

Para a coordenadora pedagógica do Instituto Integral, Luciana Haddad, no caso da mudança da educação infantil para o primeiro ciclo do ensino fundamental, o importante é evitar o excesso de formalização. ;A criança não deixa de ser criança ao entrar no ensino fundamental, pelo contrário, ela ainda está em pleno desenvolvimento da infância;, afirma.

É necessário, portanto, que se dê a oportunidade ao aluno de desenvolver outras linguagens que não apenas o português e a matemática. Nesse sentido, Luciana destaca que brincadeiras cantadas, rodas folclóricas e trabalhos manuais podem ser propostos em complementação às atividades formais. Essa é a principal preocupação de Maria Helena Marinho Azevedo, 50 anos, e Luciano Oliva Patrício, 54, pais de Letícia, 5. ;Esperamos que a escola encontre um equilíbrio entre o lúdico e o pedagógico;, relata Luciano.


Ele acredita que essa é a melhor forma de manter a pequena interessada nas aulas e pelo colégio em estuda, o Sigma da Asa Norte. Uma das atividades de transição que chamou mais a atenção de Maria Helena foi a festa de encerramento promovida no fim do ano. ;É um marco importante, eu fiquei muito emocionada, ela percebeu que haverá uma mudança;, conta a mãe. No dia do evento, as crianças dormem na escola e são surpreendidas com show de mágica e a visita do Papai Noel.

Susana de Oliveira Souza, coordenadora pedagógica da educação infantil na instituição, explica que a transição é feita com todo o cuidado para respeitar o desenvolvimento da criança, principalmente depois que uma mudança na legislação antecipou a entrada no ensino fundamental dos 7 para os 6 anos de idade. ;Um ano faz muita diferença nessa faixa etária, por isso, temos o maior cuidado;, garante.

Mais responsabilidade
Na transição do primeiro para o segundo ciclo do ensino fundamental ; do 5; para o 6; ano ;, a mudança mais importante é com relação ao grau de autonomia cobrado dos estudantes. Eles passarão a ter mais professores, mais livros, mais tarefas e deverão cuidar sozinhos da agenda. A participação de toda a equipe gestora é essencial nesse processo, conforme reforça a especialista Luciana Haddad. Uma das sugestões dela é a presença de um professor tutor, responsável por ajudar os alunos na construção da autonomia.

Os pais também costumam ficar apreensivos com as novidades, mas manter o acompanhamento em casa e estabelecer uma relação de parceria com a escola são as melhores alternativas. ;É importante acompanhar o primeiro bimestre, mas deixar que a criança trilhe um caminho com autonomia. Os pais devem ficar tranquilos para não passar tanta ansiedade para as crianças;, sugere a coordenadora pedagógica do 4; e do 5; ano do Le Petit Galois, Cátia Sousa Aguiar.

Karla Martinez Fajardo, 45 anos, já passou pela mudança de ciclos no ensino fundamental com o primogênito, que está no sétimo ano, e agora acompanha a transição do filho Gabriel, 10. ;Em casa, nós já trabalhamos incentivando alguns aspectos importantes, como responsabilidade, autonomia e também um pouco de maior organização;, relata. Este ano, ele começou a se familiarizar com o uso da caneta e teve até uma palestra para entender como será o 6; ano. ;Fiquei feliz de saber que teria de usar caneta no 5; ano, porque no 6; ano não vamos poder mais escrever a lápis. Vamos precisar também prestar mais atenção, porque vão ter mais professores;, lembra.




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