Renan segue no ataque

Renan segue no ataque

postado em 18/12/2015 00:00
 (foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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(foto: Geraldo Magela/Agência Senado )


O racha dentro do PMDB teve ontem mais um capítulo. Após esboçar uma carta de resposta ao vice-presidente da República Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o acusou de rebaixar o partido a um distribuidor de cargos. ;Por mais que o Michel tenha tentado ser coronel, ele não consegue, porque precisa garantir a vontade das pessoas, mesmo partindo para a distribuição de cargos;, afirmou Renan, ontem, após o deputado federal Leonardo Picciani (RJ) ser reconduzido à liderança da Câmara.

Foi o segundo dia seguido de trocas de farpas entre os dois. Ontem, Renan afirmou ainda que as diferenças entre ele e o vice são de natureza política e não pessoal. ;Michel inverteu os sinais, repetiu o PT naquilo que tem de pior;, disse ele. A sequência de agressões públicas entre os dois começou na quarta-feira, após a aprovação de uma resolução aprovada pela Executiva do partido a mando de Temer para impedir a filiação de novos nomes para dificultar a recondução de Picciani à liderança da bancada.

Na quarta-feira, Renan chamou a medida de autoritária e disse que o vice-presidente seria o responsável pela crise do país. Disse também que o ex-presidente da Casa, Ulysses Guimarães, deveria estar se ;tremendo na cova; e que considera ser um ;horror; um ;retrocesso; na direção do partido. ;O papel do presidente do PMDB é construir a união desses setores. Então, o presidente tem responsabilidade nessa decisão;, continuou ele, na quarta.

Temer respondeu no mesmo dia, em nota, na qual afirma que o partido não tem coronéis. De maneira irônica, ele também relembra a morte de Ulysses e diz que ele desapareceu no mar, portanto, não está em uma cova. ;É correta a afirmação de que o PMDB não tem dono. Nem coronéis. Por isso, suas decisões são baseadas no voto. (...) Decisão, portanto, democrática e legítima;, afirmou Temer, em nota.

No mesmo dia, Renan esboçou uma carta em reposta a Temer. Ele levou ao plenário do Senado e mostrou a pelo menos dois congressistas, um petista e um tucano, o que pretendia escrever a ele. O presidente do Senado queria dizer que Temer poderia conseguir outros empregos, como ;carteiro; ou ;mordomo de filme de terror;. A referência ao mordomo é de uma brincadeira do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, que era presidente do Senado e reagiu a uma nota enviada por Temer, à época, presidente da Câmara. O peemedebista, porém, foi orientado a não reagir. (JC)

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