Brasília-DF

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por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 18/12/2015 00:00
Bateu o medo na oposição

A decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal de conceder ao Senado o poder de rever a decisão da Câmara, ainda que seja por maioria simples, deixou os oposicionistas preocupados. Eles se sentiram muito mais derrotados com essa parte do rito do que com as deliberações relativas à composição da chapa e à votação aberta para escolha da Comissão Especial que analisará o pedido de abertura de impeachment.

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Há um receio de que o resultado do STF ontem termine por fortalecer o governo na Câmara, onde alguns afeitos a cargos começam a ficar preocupados com a perspectiva de o Senado preservar Dilma e, assim, aqueles que votarem contra ela estariam fadados a passar três anos a pão e água. É esse receio que, associado à disputa de Renan Calheiros contra o vice-presidente Michel Temer e Eduardo Cunha, ajudará o Planalto na hora de buscar os 171 votos entre os deputados.

Plano A

O projeto de Eduardo Cunha é se segurar no cargo para presidir a sessão da Câmara que, no ano que vem, deverá deliberar sobre o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A partir de fevereiro, ele pretende correr com esse pedido, ao mesmo tempo, em que seus aliados tentarão retardar ao máximo o caso do próprio Cunha dentro do Conselho de Ética.

Plano B

Nenhum dos aliados de Cunha tem coragem de citar a hipótese de o presidente da Câmara sair antes disso da presidência da Casa e se ver obrigado a trabalhar pela escolha de um sucessor. Quem acompanha Cunha todos os dias avalia que ele age como aquele general, que chega um assessor e avisa: ;Senhor, a praça está cheia, milhares de pessoas vieram se despedir;. E o general responde: ;Eles vão viajar? Para onde?;

Ligação direta

Uma reunião ontem na Presidência da Câmara levou o líder do PR, Maurício Quintela, a indicar os integrantes da tropa de choque de Eduardo Cunha como suplentes na comissão especial que analisará o impeachment: Wellington Roberto e João Carlos Bacelar. Essas indicações, no entanto, podem ser alteradas. O PR é o único partido pendente de indicações à comissão especial sobre a qual Cunha tem algum poder.

Lula, Dilma e Mujica

Os três jantaram ontem no Alvorada, junto aos ministros palacianos Jaques Wagner e Ricardo Berzoini. Discutiram reflexos do desgaste da esquerda brasileira na América Latina como um todo.

A MP da leniência

Como o Congresso não votou a legislação sobre o acordo de leniência, a presidente Dilma Rousseff assinará hoje uma Medida Provisória sobre o tema e incluirá o Tribunal de Contas da União como parte nessas negociações. Há um consenso (pelo menos, esse) no governo de que a falta de uma legislação sobre o acordo é um dos pontos que está travando a retomada dos investimentos.

CURTIDAS

Climão I/ Nos tempos do mensalão, era Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa que muitas vezes se estranhavam. Agora, há um certo estremecimento entre os ministros Luiz Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Barroso proferia seu voto sobre a indicação dos líderes quando Gilmar se declarou confuso e tentou apontar que havia um contraditório na fala de Barroso. ;Se o senhor está confuso, então preste atenção que vou explicar.;

Climão II/ Lá pelas tantas, referindo-se ao que significava eleição, Barroso cita o dicionário Aurélio. Gilmar, não escondeu o descontentamento: ;Pronto: o Aurélio agora é dicionário jurídico!”

Climão III/ Gilmar Mendes deu seu voto e, ao final, levantou-se, alegando que precisava se ausentar do resto da sessão porque ia viajar. Aí, foi a vez de Lewandowski deixar transparecer ao público presente a sua satisfação com a saída do colega: ;Boa viagem;, disse ele com aquela expressão no olhar rapidamente traduzida por um ;Se é por falta de adeus;.;

Sem volta/ Dentro do governo, Antonio Dias Toffoli (foto) é visto como alguém que tem sérias mágoas em relação à presidente Dilma Rousseff. Todos colocam o voto dele sempre como ;do contra;, mais emocional do que técnico, algo que, na avaliação do Planalto, significa que eles nunca poderão contar com o ministro para nada.



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