Fraudes no Postalis na mira da Polícia Federal

Fraudes no Postalis na mira da Polícia Federal

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 18/12/2015 00:00
 (foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
(foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)



A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Positus para apurar irregularidade cometidas por ex-dirigentes do Postalis, fundo de pensão dos empregados dos Correios, na compra de ativos superfaturados no exterior. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Belém e João Pessoa, e Justiça Federal em São Paulo autorizou a prisão preventiva de Fabrizio Neves, um gestor de fundos, e o bloqueio de bens de sete pessoas. Entre elas, o ex-presidente da entidade fechada de previdência complementar, Alexej Predtechensky e o ex-diretor financeiro Adílson Florêncio da Costa, ambos ligados ao PMDB do Senado Federal.
O delegado Milton Fornazari Junior, chefe da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros da PF em São Paulo, explicou que os bens apreendidos serão inventariados para cobrir possíveis rombos. ;O sequestro visa garantir futuro ressarcimento de quem realmente perdeu com as fraudes, os funcionários dos Correios, inclusive os aposentados;, destacou. Nas contas dele, os prejuízos com os ativos superfaturados podem chegar a R$ 180 milhões.
Fabrizio Neves era gestor da Atlântica Administração de Recursos e responsável por operações financeiras suspeitas sob investigação da PF, como a relacionada ao Fundo de Investimento de Dívida Externa (Fidex) Sovereign II, que comprou papéis da Venezuela e da Argentina. Neves requereu o passaporte italiano em Miami e, há dois meses, viajou para a Espanha. Atualmente, estaria vivendo nos Estados Unidos. Como não foi localizado, teve o nome incluído na lista de procurados da Interpol.

Além de Neves e dos ex-dirigentes do Postalis, outros quatro administradores de corretoras de valores foram alvo da PF. O delegado Milton Fornazari Junior explicou que dois fundos de investimentos do Postalis promoveram transações por meio de uma administradora de valores com sede em São Paulo, porém, executadas em Miami, nos Estados Unidos.
A fraude consistia na compra de títulos do mercado de capitais por uma corretora americana, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais ligadas aos investigados. Em seguida, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis por um preço ainda mais alto. Parte dos recursos desviados migrou para contas de offshores situadas nas Ilhas Virgens Britânicas. Há suspeita de que essas contas sejam de Alexej Predtechensky, ex-presidente do Postalis.
Em nota, o Postalis informou que não foi alvo das buscas e apreensões realizadas pela PF e que Fabrizio Neves nunca foi dirigente da fundação, mas era gestor da Atlântica, administradora do Fidex, que tinha o Postalis como cotista. A entidade ainda destacou que os recursos foram transferidos para títulos da Argentina e da Venezuela à revelia dos diretores da Fundação, o que motivou ação judicial contra os gestores do Fidex no Brasil. O advogado do ex-presidente do Postalis, José Oliveira Lima destacou que o cliente não é responsável pelas infrações.

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