Ari Cunha

Ari Cunha

Desde 1960 - Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 18/12/2015 00:00

Que ano!
Verba volant, scripta manet. A expressão latina, contida na rumorosa carta que o vice-presidente Michel temer enviou a presidente Dilma, muito mais do que seu significado (as palavras voam, os escritos permanecem), de certa forma resume muitos dos acontecimentos ocorridos ao longo deste ano que finda. Durante todo este ano, declarações das mais variadas, vindas do mundo político, voaram entre o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo, agitando as palavras, como folhas secas ao sabor dos ventos da crise.

A Torre de Babel construída por este governo, com ajuda óbvia do parlamento, mostrou à nação que, em momentos de crise, os dirigentes não falam a mesma língua do restante da população. Ao contrário, usam dialeto próprio que os identifica entre si, mas que serve para confundir o cidadão comum. O repertório de palavras jogadas de um lado para outro teve, no entanto, a capacidade de paralisar o país, estagnando a economia e levando os brasileiros de volta para o flagelo da inflação e do desemprego. Promessas vãs, cobiças mil.

Chamado a todo momento para esclarecer as armadilhas aladas do idioma político, o Supremo Tribunal Federal assumiu, por diversas vezes, o protagonismo do momento, recolocando cada palavra no seu lugar, provocando uma espécie de judicialização permanente nas decisões do governo e do Congresso.

No entanto, no mundo de hoje ; dominado pela tecnologia ;, as palavras podem ser facilmente capturadas pelas câmeras e vir à luz no momento certo para desdizer o que foi dito, preenchendo lacunas nas quais a verdade se escondeu.

A Operação Lava-Jato, que ao modo policial vai passando o país a limpo, tem nas palavras que voaram nos acordos à meia luz, seu principal elemento de reconstrução da cena do crime. As palavras voam agora na boca dos colaboradores da Justiça, por meio da delação premiada. O que elas revelam, a cada lance, é a história de um país onde permanecem (manet), por séculos, os maus-tratos ao Estado sem dó ou ressentimentos.


A frase que foi pronunciada

;Um 2016 a jato para o Brasil!”

Desejo de quem sabe o que vem pela frente.


Personalidade
; Relator da PEC que cria as advocacias da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União, o deputado Paulo Abi-Ackel explica a situação absurda. Por incrível que possa parecer, o Legislativo não tem personalidade jurídica para comparecer em juízo. Atualmente é representado pela União, por meio da AGU.

Momento Três
; Na Rádio Nacional, o Momento Três celebra Keith Richards, Steven Spielberg e Steve Biko. São os aniversariantes do dia, um bolo em forma de guitarra, fita de filme e luta pelos direitos humanos.

Interatividade
; Alguém ao lado da presidente Dilma teve a sensibilidade de abrir canal de comunicação para esclarecer as dúvidas da sociedade sobre os últimos acontecimentos. Com o título de ;Rebater boatos;, o Twitter e microblog entrarão em constante atividade.

Exagerado
; Existe um lugar onde ninguém imagina que se possa descumprir as normas de decibéis. Justamente na casa legislativa. A campainha para convocar os parlamentares para o plenário do Senado é tão alta que, ontem, visitantes ficaram tontos com a intensidade do som contínuo.

Observe
; Cuidado com os novos contratos de aluguel. Mudaram para 30 meses e não mais 12. Acontece que alguns documentos não trazem a cláusula de possível desistência. Como a multa é abusiva, há possibilidades de ganho por parte dos inquilinos.


História de Brasília
O sr. Breno da Silveira já iniciou sua campanha de ;simpatia; pela Prefeitura do Distrito Federal. A cidade amanheceu pichada à moda MPJQ de Taguatinga, sugerindo o nome daquele deputado para a prefeitura do Distrito Federal.(Publicado em 28/8/1961)

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