Alta de impostos e de juros

Alta de impostos e de juros

No próximo ano, brasileiros devem contar com mais tributos e aperto monetário, destaca o novo titular da Fazenda

» Simone Kafruni
postado em 22/12/2015 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press
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(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )


Ao receber o cargo de ministro da Fazenda de Joaquim Levy, Nelson Barbosa deu dois recados preocupantes: o país deve contar com aumento de impostos e de juros. O ministro reiterou que seu maior desafio é fiscal e que pretende construir condições para reduzir o endividamento público, criando limite para as despesas e ampliando receitas. Barbosa também deixou claro que a reedição da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) é fundamental para fechar as contas. ;Neste momento, não podemos reduzir a carga tributária, mas precisamos melhorar seu perfil e eficiência;, assinalou. ;O reequilíbrio fiscal envolve várias iniciativas, sobretudo, a CPMF;, defendeu.

O aumento de juros está no horizonte, de acordo com o novo ministro. Ele ressaltou que o controle da inflação é indispensável para o crescimento e para preservar o poder de compra das camadas mais pobres da sociedade. ;Reduzir a inflação é política social, e será prioridade. O Banco Central terá autonomia para aumentar a taxa de juros;, destacou.

O novo ministro afirmou que o Brasil tem todas as condições para recuperar a economia. ;No passado, nosso maior problema era cambial, agora é interno. Precisamos avançar mais na questão dos gastos obrigatórios, para aperfeiçoar o foco e melhorar a qualidade das nossas despesas. Já estamos trabalhando em uma proposta para a Previdência Social. Vamos submetê-la, ainda no primeiro semestre, ao Congresso e ao conhecimento da sociedade;, antecipou.

Diante do antecessor, Barbosa fez questão de afirmar que ;teve a honra de trabalhar em conjunto; com Joaquim Levy em medidas que geraram o corte de R$ 134 bilhões, com uma ;ampla revisão de diversos subsídios fiscais e financeiros;. ;Darei continuidade ao que fez Levy, com as mudanças no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e no PIS e Cofins, nossos dois principais impostos indiretos;, afirmou. Barbosa destacou que o foco da reforma tributária será a simplificação e a desburocratização do recolhimento de tributos.

O ministro da Fazenda tentou passar um recado de credibilidade ao mercado, que reagiu mal desde que seu nome surgiu como substituto de Levy. ;Os investidores podem continuar confiando no Brasil. Trabalharei para transformar nosso potencial de crescimento em oportunidades concretas de negócios para empresas e de emprego, e melhoria da qualidade de vida para a população;, prometeu. ;Temos que agir com senso de urgência, mas também com serenidade;, emendou.

Consensos
Para Barbosa, cabe à Fazenda liderar iniciativas de crescimento econômico. ;Temos que construir consenso em torno das medidas necessárias para o desenvolvimento do país. Adequamos o custo fiscal à nova realidade do país. Com apoio do Congresso, conseguimos mudar regras do seguro-desemprego, pensões por morte e por doença para manter bases mais sustentáveis. Do lado do investimento, entramos na segunda fase do programa de concessões que prevê R$ 198 bilhões em investimentos em portos, rodovias, aeroportos e ferrovias;, listou.

A mudança nos marcos regulatórios em logística, energia e telecomunicações, segundo o ministro da Fazenda, vai criar oportunidades de investimento. ;Podemos e queremos melhorar o ambiente de negócios. Essas reformas são necessárias e várias delas estão em andamento;, elencou.

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