Petista quer Estado maior

Petista quer Estado maior

MARCELLA FERNANDES
postado em 22/12/2015 00:00
 (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 7/10/13
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(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 7/10/13 )

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), fez ontem críticas indiretas ao ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e defendeu que o novo titular, Nelson Barbosa, atue para aumentar a interferência do Estado na economia.

;Ajuste por ajuste, não mais. Ajuste tem que ser para retomar o crescimento. O Brasil não precisa, no momento, de mais mercado, mas de mais Estado. Não haverá retomada se ficar só nessa história do ajuste;, afirmou. Guimarães defendeu também a concessão de mais crédito pelo governo para a ampliação de investimentos, além de uma reforma na Previdência.

Guimarães classificou 2015 como um ;ano de vitórias; legislativas para a gestão de Dilma Rousseff, apesar das dificuldades em aprovar medidas do ajuste da forma como o governo enviou ao Congresso. ;Não estou dizendo que não teve problemas, mas não podemos tapar o sol com a peneira. Tudo o que o (Levy) mandou para cá a gente aprovou;, disse Guimarães ao fazer uma análise do ano em entrevista a jornalistas. As alterações realizadas nas propostas, segundo ele, são prova de diálogo com o Legislativo.

Os líderes de partidos da base do governo fizeram uma nota de apoio irrestrito aos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, empossados ontem. O texto foi assinado durante reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. ;É o apoio do Congresso para que eles tenham o suporte necessário para encaminhar as medidas que fazem parte das suas iniciativas;, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vice-líder do governo na Câmara.

Barbosa emitiu uma nota de agradecimento ao apoio dos parlamentares e afirmou que ;espera trabalhar em conjunto com o Congresso Nacional no enfrentamento dos desafios e na construção de consensos;.

Levy não é poupado
Cunha criticou também a atuação do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, especialmente nas tentativas de elevação da receita via aumento de tributos e sem ações efetivas para retomada da atividade econômica. ;Era claro que o ministro Joaquim Levy não tinha uma política econômica, apesar de ele ter um sentimento equivalente ao que o mercado pensa, de tentativa de equilíbrio das contas públicas, mas fazendo, na minha opinião, de forma equivocada;, criticou.

Cunha ataca

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, assume o cargo sem aprovação do mercado, o que tem se refletido nos indicadores econômicos do dia. De acordo com ele, prevalece a visão de que Barbosa não terá autonomia. ;Pessoalmente, ele é um bom quadro, o problema é que a visão que o mercado vai ter é que ficou a política econômica sendo exercida pela própria presidente da República;, afirmou.


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