Para todas as idades

Para todas as idades

postado em 22/12/2015 00:00
A professora de português Gina Vieira Ponte decidiu discutir sexualidade com alunos do 9º ano do Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia depois de perceber que eles tinham muitas dúvidas e pouca orientação com relação ao autocuidado e à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Muitos dos meninos trouxeram questionamentos sobre desempenho sexual também. %u201CO professor precisa ter muita tranquilidade para não fechar as portas de comunicação e acolher todas as dúvidas com naturalidade%u201D, observa. A orientação sexual é um dos temas transversais definidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e, por isso, pode ser abordada em qualquer disciplina, sob diferentes pontos de vista. %u201CIsso não é prerrogativa só do professor de ciências. O professor de história pode, por exemplo, falar sobre a história da sexualidade e sobre a relação da sexualidade com os movimentos femininos de busca da emancipação da mulher%u201D, destaca Gina. Para a educadora, no entanto, falta tempo para que os professores possam se apropriar do conhecimento. %u201CUma coisa é o material estar disponível na internet. Outra coisa é você se apropriar disso e transformar em instrumento pedagógico.%u201D Plano A estratégia da professora foi formar grupos para pesquisar sobre nove tipos de doenças sexualmente transmissíveis, para que o conhecimento fosse construído de forma coletiva e não unilateral. %u201CEu sinto que os meninos têm muita resistência a esse modelo que me formou, que é um modelo em que eu era a aluna subserviente, calada, atenta%u201D, relata. Na avaliação dela, a geração atual, por estar conectada o tempo todo e ter acesso a informações de forma rápida, passa a impressão de saber de tudo. Porém, quando se trata de sexualidade, eles dificilmente vão à internet em busca de informações sobre autocuidado, mas, sim, à procura de conteúdo pornográfico, o que é natural nessa idade, conforme ela destaca. %u201CEntão, é obrigação da escola levantar essa pauta e, inclusive, discutir algumas coisas que estão postas na mídia como verdade absoluta e que, muitas vezes, eles (adolescentes e jovens) tomam como verdade%u201D, conclui.

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