Cirurgia bariátrica fica mais acessível

Cirurgia bariátrica fica mais acessível

O número de doenças que podem justificar o procedimento foi ampliado e agora são 21. Entre elas, estão depressão, diabetes, hipertensão, disfunção erétil e hérnias discais. Obesos chegam a 18% da população

» NATÁLIA LAMBERT
postado em 14/01/2016 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) altera as regras para tratamento da obesidade mórbida por meio da cirurgia bariátrica no país. A partir de agora, desde que obedecidos critérios, jovens a partir dos 16 anos também poderão realizar o procedimento ; antes a idade mínima era 18. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o índice de obesos entre os maiores de idade é de quase 18%, o que corresponde a mais de 37 milhões de brasileiros.

Antes da mudança, jovens entre 16 a 18 anos podiam fazer a cirurgia caso o risco-benefício fosse bem analisado. Agora, de acordo com o CFM, além dessa análise e outras regras anteriores (veja quadro), devem ser observadas novas exigências, como a presença de um pediatra na equipe multiprofissional e a consolidação das cartilagens das epífises de crescimento dos punhos.

De acordo com o relator e vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, a ampliação da faixa etária foi o ponto de maior discussão. Segundo ele, existe ampla literatura mundial em centros de referência que mostram que o procedimento é seguro para esses adolescentes. Já para menores de 16 anos, a bariátrica só será permitida em caráter experimental e dentro dos protocolos do sistema Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CEP/Conep).

;Nós sabemos que existem adolescentes abaixo de 16 anos obesos mórbidos. Agora, ainda não têm trabalhos que provem que o tratamento cirúrgico nessa faixa etária é seguro e eficaz a longo prazo;, explicou o vice-presidente. Pacientes com mais de 65 anos poderão fazer a cirurgia desde que respeitadas as condições gerais descritas na resolução e após avaliação do risco-benefício.

Para o acupunturista Felipe Melo Manzi, 28 anos, a melhor forma de emagrecer é a tradicional: reeducação alimentar e exercícios físicos. Entretanto, o jovem, que há 45 dias fez o procedimento para reduzir o estômago, ressalta que chega um ponto em que a cirurgia passa a ser necessária. ;Quando os problemas de saúde chegam ou a força de vontade falha mesmo. No meu caso, pelos dois motivos.;

Terapia
Felipe conta que, desde o começo do ano passado, começou a fazer terapia com uma psicóloga para se adaptar à ideia. ;Cheguei à conclusão de que poderia estar perdendo a melhor fase da minha vida em termos profissionais, sociais, amorosos. Foi quase um ano de preparo e exames. Apresentei cinco laudos diferentes e participei de palestras.; Desde a fase do pré-operatório, o jovem saiu de 131kg para 112kg e a meta é chegar aos 80kg. ;Não adianta reduzir o estômago e não ;reduzir; a cabeça. O trabalho psicológico é muito importante. Tem que ter paciência e a cabeça no lugar.;

A publicitária Marina Magalhães, 27 anos, fez a cirurgia em dezembro de 2012. Inicialmente, ela achava a ideia radical e preferia fazer dietas e exercícios. ;Achava que não era gorda o suficiente para tal. Uma vez, fui atendida por uma nutricionista que já tinha trabalhado com pacientes pré-bariátrica e perguntou se eu não me interessava, disse que minha gordura abdominal era preocupante. Procurei um outro médico, especialista no procedimento, e demorei um ano até criar coragem;, lembra Marina. Antes de se decidir, chegou a pesar 102kg ; atualmente, pesa 60kg.

A determinação do CFM também mudou para 21 a quantidade de doenças associadas à obesidade que podem levar a uma indicação da cirurgia para pacientes com sobrepeso médio ; com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 35 e 40 ; entre elas, depressão, disfunção erétil, hérnias discais, asma grave não controlada, diabetes, hipertensão, ovários policísticos.

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