Samarco e Vale são indiciadas

Samarco e Vale são indiciadas

PF vê indícios de crime pelas empresas e mais sete executivos pelo rompimento da barragem de minério em Mariana, em novembro

postado em 14/01/2016 00:00
 (foto: Ricardo Moraes/Folha de São Paulo/Reuters - 23/11/15)
(foto: Ricardo Moraes/Folha de São Paulo/Reuters - 23/11/15)
A Polícia Federal indiciou ontem a Samarco, a Vale (controladora da empresa), a VogBr e mais sete executivos por crime ambiental provocado pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, em 5 de novembro de 2015.

O diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, além de responsável pelo monitoramento de represas da mineradora e gerentes da área estão entre os indiciados. A VogBr emitiu parecer atestando a estabilidade da barragem que rompeu, matando 17 pessoas ; duas estão desaparecidas.

A PF, no indiciamento, aponta apenas cargos, e não seus ocupantes. O indiciamento foi por poluição ambiental em proporção que afete o convívio humano. O rompimento da barragem, além de poluir o Rio Doce, atingido pela lama que vazou da represa, impossibilitando, por exemplo, a pesca, deixou sem água cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Em comunicado, a Vale diz que recebeu com surpresa a notícia do indiciamento e afirmou que ;reflete um entendimento pessoal do delegado e ocorre em um momento em que as reais causas do acidente ainda não foram tecnicamente atestadas e são, portanto, desconhecidas;.

A Samarco também destacou que discorda da decisão e ressaltou que ;não há uma conclusão pericial técnica das causas do acidente;. A VogBR vai esperar a notificação da PF para se pronunciar.

Plano
Somente anteontem a Samarco entregou ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) o plano de emergência em caso de rompimento das barragens de Germano e Santarém, em Mariana. Conforme previsto em ação movida pelo Ministério Público Estadual o plano deveria ter sido entregue na segunda-feira. A multa diária pelo atraso é de R$ 1 milhão.

A mineradora ainda apresentou à Justiça uma petição tentando justificar o atraso. Segundo a Samarco, a empresa contratada para o serviço não teria entregue o material no tempo previsto. A solicitação deverá ser analisada pelo TJ nos próximos dias.

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