Mais 1 milhão de demissões

Mais 1 milhão de demissões

postado em 14/01/2016 00:00

A destruição de postos de trabalho não chegou ao fim. Analistas estimam que a taxa de desemprego, que era de 8,9% no 3; trimestre do ano passado, alcançará os dois dígitos em 2016. Para eles, enquanto o governo não estancar a crise política, equilibrar as contas públicas e controlar a inflação, para dar previsibilidade econômica aos investidores, as empresas continuarão a fechar vagas em meio à recessão. Muitos temem que esse processo dificulte a geração de empregos. Alguns economistas projetam que a oferta de trabalho só voltará a crescer no segundo semestre de 2017 se a confiança em relação à economia brasileira ganhar fôlego.


O economista Carlos Alberto Ramos, professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em mercado de trabalho, detalhou que, sem a execução de reformas estruturais nos últimos anos, o país perdeu competitividade e deixou de atrair investimentos que demandariam mão de obra qualificada e bem paga. Ele relembra que a perda de relevância da indústria também contribuiu para acelerar a destruição de postos com maiores salários. ;Não há sinais de que esse processo vá mudar. Sem previsibilidade econômica, não há ambiente para geração de empregos, e somente vagas com baixa remuneração serão criadas;, afirma.


Na opinião de Rodolfo Peres Torelly, ex-diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, o país enfrentará mais um ano de demissões em massa. Ele estima que 1,7 milhão de pessoas perderam o emprego no ano passado e outras 1 milhão devem ser dispensadas do mercado formal em 2016. Conforme Torelly, aqueles que não aceitaram propostas de salário menor no mercado formal ingressaram na informalidade e perderam a cobertura previdenciária e os benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego. Para ele, isso só vai melhorar com mudanças estruturais no país, entre elas a reforma trabalhista. ;Estamos vivendo um momento de retrocesso e não há sinal de recuperação a curto prazo;, disse. (AT)







Seguro-desemprego: teto atinge R$ 1.542
Assim como as aposentadorias para quem ganha mais de um salário mínimo, as parcelas do seguro-desemprego foram reajustadas em 11,28% e o teto mensal do benefício passou a ser de R$ 1.542,24 ; antes era de R$ 1.385,91. O valor da parcela que cada segurado recebe depende do salário que tinha antes da demissão. De acordo com o Ministério de Trabalho e da Previdência Social, os novos valores do benefício estão em vigor desde segunda-feira. O reajuste foi calculado com base na variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nos 12 meses de 2015. No ano passado, mais de 8 milhões de trabalhadores receberam seguro-desemprego.







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