Risco menor na Argentina

Risco menor na Argentina

Sinalização de acordo do governo Macri com credores de fundos norte-americanos reduz desconfiança no país. JP Morgan considera mais arriscada a compra de títulos soberanos brasileiros do que argentinos

» ROSANA HESSEL
postado em 14/01/2016 00:00
 (foto: Miguel Rojo/AFP - 7/1/16)
(foto: Miguel Rojo/AFP - 7/1/16)



A desconfiança dos investidores com o Brasil é tamanha, que o risco do país, medido pelo JP Morgan, está maior do que o da Argentina. Desde a posse de Mauricio Macri, no país vizinho, quando sinalizou para a possibilidade de um acordo com dos fundos de investimento norte-americanos ; chamados de abutres, durante o governo Cristina Kirchner ;, o mercado se animou. Ontem, o risco dos títulos soberanos argentinos estava em 467 pontos, ante 487 dos papéis brasileiros. Quanto mais alta a pontuação, maior risco de calote.


Na avaliação de especialistas, o fato de o presidente argentino sinalizar a intenção de negociar com os credores é bastante positivo e talvez haja possibilidade de um acordo satisfatório, que pode melhorar muito as perspectivas macroeconômicas do país vizinho. ;O Brasil pode ter muito mais reservas que a Argentina e ser credor internacional, mas não tem perspectiva de reforma estruturante, não resolveu o problema fiscal, não tem uma equipe afinada e respeitada pelo mercado internacional, e entrou em uma espiral inflacionária preocupante;, explicou o diretor do BRIC Lab da Columbia University, Marcos Troyjo.


Para ele, é bem possível que Macri consiga um prazo maior para pagar os credores que não aceitaram os descontos oferecidos no acordo fechado entre 2005 e 2010 para os valores devidos após o calote de 2001. Se isso ocorrer, evitará que o pagamento integral se estenda aos demais credores, o que melhoraria o quadro fiscal da Argentina e permitiria que o país saia do default e volte a tomar financiamento externo. As estimativas são de que a dívida total de Buenos Aires pode chegar a US$ 10 bilhões, em valores atualizados.


O economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, avalia que a mudança na Presidência da Argentina melhorou significativamente as perspectivas do vizinho. ;O Brasil ainda não conseguiu resolver a questão política. Nenhum investidor vê luz no fim do túnel, e a situação fiscal só está piorando, sem reversão para os prêmios de risco a curto e médio prazos;, disse.

Câmbio

O chefe da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, destacou que a piora nos pontos brasileiros em relação aos da Argentina é reflexo do câmbio. ;O peso argentino já desvalorizou bastante. Aqui, ainda há expectativa de desvalorização diante da série de incertezas na economia e na política;, destacou.


Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, lembrou que o risco do Brasil não é apenas pior do que o da Argentina, mas também que o da Rússia, dado o enorme grau de desconfiança na economia e, principalmente, na política, que vem atrapalhando qualquer sinal de crescimento do país. ;O país vai acabar tendo uma performance pior do que a de uma nação que sofre sanções dos Estados Unidos e da União Europeia;, alertou.



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