O realismo em alta

O realismo em alta

Cotados para o Oscar, Jobs, Carol e A grande aposta mostram que ainda há espaço para histórias de fundo verídico

postado em 14/01/2016 00:00
 (foto: Mares Filmes/Divulgação)
(foto: Mares Filmes/Divulgação)

Para os apaixonados por cinema, 2015 foi um ano que rendeu bons frutos, alguns dos quais chegam aos cinemas brasileiros esta semana. Jobs, Carol e A grande aposta são três dos longas mais aclamados pela crítica internacional no ano passado, colecionando indicações a prêmios internacionais e despertando o interesse do público.

Depois de um filme confuso e com uma atuação mediana de Ashton Kutcher em Jobs, Hollywood apresenta uma tentativa mais sensata de contar um pouco a vida do fundador da Apple. Em Steve Jobs, a preocupação não é com os trejeitos do empresário ; interpretado por Michael Fassbender ;, mas com dramas que ele sofreu durante a vida. Três deles são bem retratados no longa: o lançamento do Macintosh, em 1984, que foi um fracasso de vendas e custou o emprego dele na Apple; a criação da Next e os computadores para uso em escolas, que também não obtiveram sucesso; e a apresentação do iMac, o computador de mesa que revolucionou o mercado.

Esses três acontecimentos apresentam uma espinha dorsal: a relação conturbada de Steve Jobs com Chrisann Brennan (Katherine Waterston), uma jovem com quem ele teve um relacionamento e que gerou uma filha, Lisa, não reconhecida pelo empresário. A direção ficou a cargo de Danny Boyle, ganhador do Oscar por Quem quer ser um milionário, e o roteiro de Aaron Sorkin, ganhador de um Oscar e recém-premiado no Globo de Ouro. Steve Jobs faturou ainda outro Globo de Ouro pela atuação de Kate Winslet, como Joanna Hoffman, diretora de Marketing da Apple.

Quebra de barreiras
Outra estreia, que tem marcado presença nas premiações internacionais é o longa Carol, estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara. Situado em plena década de 1950, a adaptação do romance The price of salt (O preço do sal, em tradução livre) de Patricia Highsmith acompanha a história de amor entre Carol (Cate Blanchett) e Therese (Rooney Mara).

Em uma época na qual a homossexualidade era vista com olhares de reprovação e, em muitos casos, ódio, as duas mulheres sofrem para aceitar a verdadeira natureza do forte vínculo que estabelecem e, acima de tudo, para aceitar quem são realmente. Carol, uma recém-divorciada, se torna vítima do revanchismo do ex-marido que, ao descobrir o relacionamento da protagonista com Therese, busca ganhar a guarda da filha do casal judicialmente sob a premissa de que Carol seria uma má influência.

O diretor Todd Haynes recebeu críticas elogiosas pelo retrato sensível da época e do casal principal, não fugindo do engajamento político, mas não reduzindo uma história de amor a uma luta pelos direitos civis de homossexuais. Carol e Therese são, acima de tudo, duas pessoas apaixonadas.

Colapso mundial
Em 2008, Wall Street encarou a maior crise financeira da história desde a quebra da bolsa de 1929. Após o colapso do mercado imobiliário, milhões de americanos se viram desempregados e sem casa. Um grupo seleto de profissionais do mercado financeiro conseguiu prever e eventualmente lucrar com a bolha imobiliária.

Christian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell e Brad Pitt vivem os personagens que se utilizam de informações privelegiadas para ganhar dinheiro em plena crise. São as perfomances dos astros que faz de A grande aposta um dos longas mais complexos e instigantes da temporada 2015.

Baseado no livro de não ficção homônimo, do jornalista Michael Lewis (responsável também pelas publicações que geraram Um sonho possível e O homem que mudou o jogo), A grande aposta é dirigido por Adam McKay, responsável pelas comédias O âncora ; A Lenda de Ron Burgundy, Quase irmãos e Tudo por um furo.

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