Investidor foge da Petrobras

Investidor foge da Petrobras

Ações preferenciais da estatal tombam 4,94% na Bovespa. Em algumas localidades, papéis valem menos que um litro de gasolina

PAULO SILVA PINTO
postado em 21/01/2016 00:00
 (foto: Andrew Burton/AFP

)
(foto: Andrew Burton/AFP )


Com petróleo em baixa e dólar em alta, não há trégua para a Petrobras. As ações preferenciais da estatal despencaram 4,94% ontem, fechando a R$ 4,43 na Bolsa de Valores de São Paulo (BM). Em algumas cidades, como o Rio de Janeiro, o preço do litro da gasolina já ultrapassa o valor dos papéis da petroleira. Só neste mês, a queda acumulada é de 33,88%. Na Bolsa de Valores de Nova York, os títulos caíram 3,98% para US$ 2,17. Se ficarem abaixo de US$ 1, a empresa poderá ser excluída do pregão.

O valor da empresa foi afetado principalmente por um relatório divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia, que alerta para o risco de o mercado internacional ser inundado pela oferta de petróleo. Com o relatório, as cotações da commodity recuaram ainda mais no mercado global. O barril de óleo do Texas, principal referência nos Estados Unidos, caiu 6,7%, para US$ 26,55.

Se a cotação continuar em níveis tão baixos, a Petrobras terá dificuldade para viabilizar projetos de exploração no Brasil, devido ao alto custo de produção. Isso deverá reduzir a previsão de faturamento. Outro problema para a estatal é a disparada da moeda norte-americana (leia texto ao lado). ;Há preocupação quanto ao impacto do dólar na elevada dívida da empresa;, afirmou Bruno Piagentini, analista da corretora Coinvalores.

Para o economista-chefe da Itaim Asset Management, Ivo Chermont, a queda do petróleo e de outras commodities está causando problemas não só à Petrobras, mas para todo o mercado. ;Se o barril ficar abaixo de US$ 30 por muito tempo, pode quebrar vários bancos. Além disso, aumenta as chances de deflação na Europa;, afirmou. Ele observou que há um mau humor generalizado quanto à economia mundial, que, em grande parte, se deve também à queda de demanda da China. Esse mau humor acaba por aumentar à rejeição às ações da Petrobras, já que analistas preveem maior dificuldade para a empresa se financiar no mercado.

Colaborou Rosana Hessel

Líder em dívida


A Petrobras é líder mundial em um item, pelo menos: sua dívida, de R$ 508 bilhões, não encontra rival em qualquer empresa global. Desse total, aproximadamente 80% são devidos em dólar. Portanto, a alta da divisa norte-americana eleva o peso das obrigações da estatal. O valor do endividamento é o que consta no balanço do terceiro trimestre da estatal.

Produção em alta

A Arábia Saudita tem elevado a produção de petróleo para quebrar a concorrência, sobretudo os produtores de gás de xisto nos Estados Unidos. Além disso, desde o último sábado, o Irã, está livre de sanções internacionais, por ter adequado seu programa nuclear às inspeções de outros países. Por conta disso, deverá elevar as exportações de petróleo, o que derrubará ainda mais o preço.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação