Páscoa até 10% mais cara

Páscoa até 10% mais cara

Empresas decidem oferecer produtos com menos gramatura para tentar aumentar vendas e reduzir prejuízo de 2015

RODOLFO COSTA
postado em 21/01/2016 00:00
 (foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press - 18/3/15
)
(foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press - 18/3/15 )


São Paulo ; Produzir mais com menos. Esse será o grande desafio das empresas fabricantes de chocolate para a Páscoa 2016, resumiu o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Ubiracy Fonseca. Para evitar que as vendas sejam um desastre, a tendência é que as companhias reduzam o tamanho das embalagens e a gramatura dos ovos como forma de manter os preços atrativos ao consumidor. ;Se no ano passado as empresas vendiam os produtos com um peso médio de 400g, por exemplo, agora, essa média será de 250g. Em alguns casos, pode ser que as empresas apostem em menos brindes e produtos licenciados;, sinalizou.

Para alavancar a venda da data, os fabricantes pretendem assumir custos de produção e repassar percentuais inferiores ao da inflação de 2015, de 10,67%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em média, os consumidores encontrarão tradicionais ovos de Páscoa a preços entre 6% e 10% mais altos em relação ao ano passado. De acordo com o gerente de Marketing da Nestlé, André Laporta, haverá ovos de R$ 8 a mais de R$ 400 nos pontos de venda.

A realidade é que o setor ainda se recupera dos prejuízos de 2015. Entre janeiro a setembro do ano passado, a produção de chocolates caiu 10%, de acordo com dados divulgados na terça-feira pela Abicab. Recuo substancial para um setor que permaneceu mais de uma década sem enfrentar uma crise.

Os fundamentos da economia, no entanto, não são nada favoráveis para a Páscoa. O desemprego continua subindo, a inflação se mantém resistente e o crédito está caro e escasso. Para o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, a Páscoa de 2016 será a ;das lembrancinhas;. Diante da atual recessão, ele acredita que as vendas encolherão pelo segundo ano consecutivo.

* O repórter viajou a convite da Abicab

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação