Estado Islâmico destrói monastério

Estado Islâmico destrói monastério

postado em 21/01/2016 00:00
 (foto: Sky Scraper City/Reprodução)
(foto: Sky Scraper City/Reprodução)



Foram 1.400 anos de história reduzidos a pó. Onze meses depois de vandalizar artefatos do Museu da Civilização de Mossul, o Estado Islâmico (EI) destruiu o Monastério de Santo Elias, o mais antigo mosteiro cristão do Iraque, localizado na mesma cidade. Imagens de satélite obtidas pela agência Associated Press (AP) mostram que a construção de 27 mil metros quadrados, erguida no ano 590 por monges assírios, foi ;pulverizada; com a ajuda de retroescavadeiras, marretas e explosivos. A demolição teria ocorrido em algum ponto entre 27 de agosto e 28 de setembro de 2014, após o EI controlar a região, em junho do mesmo ano.

Também conhecido como Deir Mar Elia, o templo foi palco, em 1743, de um massacre de religiosos que se recusaram à conversão forçada ao islã por parte das forças persas ; 150 morreram e a estrutura teve de ser reconstruída no início do século 20. Na década de 1970, o local tornou-se base da Guarda Republicana Iraquiana, durante a guerra com o Irã. Em 2003, um tanque T-72 atingido por um míssil danificou uma das paredes do monastério, que tinha 26 aposentos, incluindo um santuário e uma capela.

Forçado a abandonar Mossul (norte) e a se exilar em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, o sacerdote católico Paul Thabit Habib, 39 anos, reagiu à notícia com incredulidade. ;Eu não posso descrever minha tristeza. Nossa história cristã em Mossul está sendo barbaramente arrasada. Nós vemos isso como uma tentativa de nos expulsarem do Iraque, nos eliminarem e acabarem com nossa existência nesta terra;, afirmou à AP. ;Uma grande parte da história tangível foi destruída;, admitiu, em entrevista à mesma agência, o pastor caldeu Manuel Yousif Boji, que participou de uma missa em Deir Mar Elia, seis décadas atrás, quando era seminarista em Mossul.

Sob condição de não ter o sobrenome revelado, Saif ; um morador de Mossul ; afirmou ao Correio que as ruínas de Deir Mar Elia, erguidas em uma colina, eram consideradas patrimônio cultural do Iraque. ;Elas ficavam fora da cidade. Tudo o que sei é que, dentro de Mossul, os jihadistas não destruíram as igrejas por completo;, comentou o muçulmano. ;Por aqui, ninguém se importa mais com monumentos, devido à incompetência e à corrupção dos responsáveis. Além disso, o Estado Islâmico tenta obliterar a civilização do Iraque;, acrescentou. Segundo Saif, todos os cristãos abandonaram Mossul, com medo de uma execução em massa.

Os jihadistas do EI têm promovido um saque cultural em larga escala e a devastação de monumentos milenares do Iraque e da Síria. As ruínas de Níneve, de Palmira e de Hatra foram alvos de explosões, de vandalismo e de pilhagens. Os extremistas contrabandeiam os artefatos arqueológicos para levantar recursos e financiar o grupo.

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