Trump celebra aliança com Palin

Trump celebra aliança com Palin

Pré-candidato do Partido Republicano se diz honrado com o apoio da ex-governadora do Alasca. Chapa suscita dúvidas sobre a capacidade de atração de votos

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 21/01/2016 00:00
 (foto: Nicholas Kamm/AFP - 9/9/15)
(foto: Nicholas Kamm/AFP - 9/9/15)



No dia seguinte à declaração de apoio da ex-governadora do Alasca Sarah Palin, o pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump afirmou que, em caso de vitória, sua mais nova aliada terá lugar no governo americano. Às vésperas da convenção no estado de Iowa, o anúncio da parceria entre Trump e Palin colocou a ex-candidata a vice-presidente pela chapa republicana de 2008 de volta aos holofotes da política americana e despertou questionamentos sobre a sua capacidade de angariar votos para o polêmico magnata do setor imobiliário.

Assim como Trump, Palin ficou conhecida nas eleições de 2008 ; quando concorreu como vice do senador John McCain ; por suas posturas conservadoras, declarações polêmicas e inúmeras gafes. Desde então, a ex-governadora não disputava eleições e perdia destaque no partido. Em entrevista à rede de televisão NBC News, Trump relatou que foi procurado pela republicana, sem exigências em troca de seu apoio. ;Ela simplesmente disse: eu realmente gosto do que está ocorrendo;, contou. ;Ela é alguém que eu gosto e respeito. Certamente, ela pode desempenhar um papel no governo se ela quiser;, completou.

O magnata do setor imobiliário descreveu o apoio de Palin como ;uma honra;. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto para a disputa pela nomeação do Partido Republicano na corrida pela sucessão presidencial, Trump conta com escasso apoio de políticos influentes da legenda. O nome de Palin, no entanto, contribuiu para sanar a deficiência na campanha do empresário.

Pesquisa elaborada pela consultoria Public Policy Polling em maio de 2014, mostra que, na época, 68% dos americanos tinham uma imagem favorável sobre Palin. Sua capacidade de atrair simpatizantes, recursos financeiros e, especialmente, votos, no entanto, é duvidosa. A única certeza é a de que a ex-governadora deve causar ainda mais barulho em torno do pré-candidato. ;Independentemente das visões de Palin e de sua pertinência para um cargo alto, ela atrai grandes públicos e a atenção histérica da imprensa;, avalia o cientista político Matthew Ashton. ;Muito do sucesso de Trump se deve a um modelo similar ao estilo dela em 2008: uma mistura potente do velho populismo político e declarações explosivas sobre questões sensíveis.;

Reação
O anúncio do apoio de Palin foi feito no estado de Iowa, onde o senador e também pré-candidato à nomeação republicana Ted Cruz tem ganhado terreno. Apesar de a maioria dos aspirantes à Casa Branca da ala opositora terem concentrado as atividades das últimas semanas em Iowa, o estrategista republicano Matt Strawn afirmou ao jornal Politico que não enxerga a capacidade de Palin de impulsionar a campanha de Trump no estado.

Em reação à nova parceria, Cruz reiterou a admiração por Palin e lembrou que pode contar com o apoio da ex-governadora para se eleger senador. O pré-candidato Jeb Bush, porém, afirmou à agência de notícias Bloomberg que a parceria era ;de dar risada;. Apesar de o senador John McCain ter afirmado que respeita a decisão da ex-companheira de chapa, a sua filha Meghan afirmou à imprensa que foi ;difícil assistir; ao discurso de Palin ao lado de Trump. ;A campanha do meu pai era sobre caráter e integridade, e eu sei que muitos dos valores expostos por meu pai não são mais populares. Eu entendo que os candidatos anti-establishment estão dominando;, considerou, em entrevista à Fox News.


Bloqueio a projeto

Senadores democratas bloquearam o avanço de um projeto de lei que tentava dificultar a entrada de refugiados da Síria e do Iraque nos EUA. Segundo o jornal americano The New York Times, a proposta tinha passado pela Câmara dos Deputados e recebeu, no Senado, 55 votos a favor e 43 contra. Apesar do número favorável ao documento, o texto dependia de 60 votos favoráveis para contornar o veto da Casa Branca. O projeto de lei era apoiado por Donald Trump e pretendia colocar duros controles sobre os refugiados sírios e iraquianos, incluindo restrições a pessoas que professam o islã.





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