O triunfo dos burocratas

O triunfo dos burocratas

Marcelo Agner marceloagner.df@dabr.com.br
postado em 01/02/2016 00:00

Na semana em que viveu um drama pessoal com a morte de uma cunhada que teve dengue hemorrágica, o vice-governador do DF, Renato Santana, criticou os ;tecnocratas; do governo. Em seu desabafo pelas redes sociais, ele atacou a insensibilidade dos gestores, que estariam mais preocupados com a economia de recursos do que com a grave situação de setores fundamentais, como a saúde pública. ;O mundo real é muito diferente da bolha dos gabinetes;, disse o político. Santana tem razão. Mas ele, como segundo homem na hierarquia do GDF, também precisa agir, se indignar mais.


O Correio mostrou há alguns dias a situação de pacientes com câncer que ficaram dois meses sem quimioterapia. Faltavam remédios, admitiu a Secretaria de Saúde, em mensagem oficial enviada à redação. Quem acompanha a luta de pessoas que têm a doença sabe que o câncer não pode se submeter à longa burocracia das compras estatais. É um mal traiçoeiro, rápido. Um dia faz muita diferença no tratamento. Dois meses, então...


Eu esperava reações mais indignadas de nossas autoridades. Gostaria de ver políticos ;batendo na mesa; e cobrando soluções emergenciais para socorrer essa gente. Mas a administração pública seguiu seu caminho normal, pautado por documentos e licitações. O mundo real, como o vice-governador percebeu, tem ritmo e urgências bem diferentes.


Vivemos um momento dramático na saúde. Dengue, zika e outras doenças assombram a população, que não conseguiu sequer socorro para males antigos. Há sofrimento e morte nos hospitais, seja pelo atendimento precário ou pela falta dele. O atual quadro tende a se agravar.


O desabafo de Renato Santana é muito bem-vindo neste momento. No entanto, espera-se do vice-governador e de todos os eleitos para comandar o DF menos discursos e mais ação. Falta à burocracia sensibilidade e preocupação com o ser humano. Os tecnocratas não saem dos gabinetes? Tire-os de lá! Vocês têm poder pra isso.

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