Menos empolgação após homicídio

Menos empolgação após homicídio

No dia seguinte à morte que entristeceu o pré-carnaval, bloco que se concentrou no mesmo local do crime saiu vazio. Segundo governo, o policiamento foi reforçado para as comemorações. Ontem, PMs fizeram revistas e rondas nas áreas de concentração

» BERNARDO BITTAR » BRUNO LIMA ESPECIAL PARA O CORREIO » MARIANNA NASCIMENTO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 01/02/2016 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)





Desde 2011, a Polícia Militar não registrava homicídios no carnaval de Brasília. Para manter os números zerados, a Secretaria de Segurança Pública sempre reforça o policiamento nas ruas e, segundo a pasta, não foi diferente neste ano. No entanto, a comemoração de um dos blocos que antecipa a festa de Momo, no último sábado, foi marcada pela morte de Wesley Sandrikis Gonçalves da Silva, 29 anos, que não resistiu a um tiro no peito após confusão que está sendo investigada pela 5; Delegacia de Polícia (Área Central). O incidente ocorreu próximo à Funarte, no Eixo Monumental. Ontem, a folia continuou, mas com menos participantes que o previsto.

Nos quatro blocos que saíram no Plano Piloto, os policiais fizeram revistas e rondas nos locais de concentração. Um dos oficiais que fazia a segurança na área informou que o efetivo aumentou ontem. O Bloco Libre, que esperava reunir 300 pessoas também próximo à Funarte, tinha a participação de apenas pouco mais de 30 por volta das 18h e, segundo a PM, contava com 45 homens no policiamento. Para o organizador do grupo, Márcio Apolinário, 37, a morte de Wesley pode ter afastado o público. ;Com certeza atrapalhou um pouco. Foi no mesmo local, inclusive. Mas o nosso objetivo é justamente tirar essa imagem de violência, de coisas negativas que os eventos atraem;, afirmou.

As polícias Civil e Militar, o Departamento de Trânsito (Detran) e a Agência de Fiscalização do DF ganharam reforço durante o pré-carnaval, segundo o subsecretário da Subsecretaria de Integração de Operações de Segurança (Siops), Márcio Pereira. ;Tivemos mais gente no Suvaco da Asa, por exemplo, onde ninguém morreu. O problema não foi a polícia, mas sim o cara mal-intencionado que já saiu de casa pensando em matar o outro;, avalia.

O subsecretário não revelou, no entanto, o número de oficiais em serviço, mas disse que o combate ao crime tornou-se mais eficiente por causa desse reforço. ;Apreendemos 26 armas em três dias e meio. Isso é um recorde, porque nossa média é de quatro apreensões por dia. Solucionamos três assaltos e demos conta de prender um homem acusado de esfaquear outro na escola de samba Aruc;, afirma.

Também no último fim de semana, a reportagem do Correio testemunhou uma equipe da PM próximo ao Buraco do Tatu fiscalizando passageiros de ônibus que saíam da Rodoviária. A ação seria parte da Operação Redução dos Índices de Criminalidade (RIC) e não teria relação com o pré-carnaval, segundo informaram os policiais presentes.

Em nota, a Assessoria de Comunicação da Polícia Militar informou que houve nove blocos carnavalescos no DF até o momento e que a segurança pública empregou ;grande número de agentes para garantir o bem-estar da população;. No texto, a corporação declara ainda que ;a ocorrência no estacionamento da Funarte não reflete o que foi o carnaval do DF, e que raramente há registros de crimes graves em blocos de rua;. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, nas próximas semanas, a quantidade de policiais aumentará ainda mais.

David Mura, organizador do bloco Babydoll de Nylon, marcado para 6 de fevereiro, acredita que a preocupação com a segurança nos eventos também é responsabilidade de quem os produz. ;A gente tem uma relação estreita com a PM e com a Secretaria de Segurança. Estamos preocupados. A equipe vai oferecer três vezes mais segurança que nos outros anos. Para isso, contratamos empresas particulares;, afirma. Para tentar evitar incidentes, eles também farão uma campanha voltada à paz no carnaval.


Briga
Uma briga entre dois homens causou tumulto no bloco Suvaco da Asa, em 23 de janeiro, que também se concentrou no Eixo Monumental este ano. A confusão aconteceu perto das barracas de comida e bebida, entre a Torre de TV e a Funarte. Algumas pessoas se queixaram da insegurança, alegando terem sido vítimas de roubos de carteiras e de celulares. Os organizadores informaram que havia 150 policiais, 30 seguranças particulares e 30 brigadistas no evento.

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