Ânimos acirrados com a presença do ministro

Ânimos acirrados com a presença do ministro

Oposição reage ao anúncio de que Marcelo Castro vai se licenciar da Saúde para participar da votação que escolherá o líder do PMDB. Picciani ganhou o reforço de dois aliados do Rio de Janeiro

Marcella Fernandes
postado em 17/02/2016 00:00

A expectativa da participação do ministro da Saúde, Marcelo Castro, na eleição da liderança do PMDB incendiou o partido e a Câmara. Deputado federal licenciado, o voto de Castro ajudaria na recondução do atual líder, Leonardo Picciani (RJ). A oposição apresentou no plenário da Câmara uma convocação para que explique o que está fazendo para combater os surtos de dengue, zika e chikungunya que têm atingido o país. O pedido, contudo, só deve ser decidido na sessão desta quarta-feira ou semana que vem.

;Num momento em que o Brasil enfrenta uma das suas mais graves crises na área de saúde, o afastamento de Castro do ministério mostra o desrespeito com que o governo da presidente Dilma Rousseff e o PT tratam a saúde e o nível de preocupação com a contaminação pelo zika vírus;, diz o texto assinado por líderes de PPS, PSDB, DEM, SD e PSB.

A nota também acusa a presidente e o PT de usarem ;o Ministério da Saúde mais uma vez como moeda;. A ida de Castro para a pasta acabou conquistada por Picciani durante a reforma ministerial concluída em outubro. A convocação foi definida em uma reunião das lideranças oposicionistas na manhã de ontem, organizada pelo líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), em busca de uma unificação do posicionamento dos partidos de oposição. Também foi acertada a obstrução a duas medidas provisórias em discussão no plenário ontem, defendidas pelo governo.

A expectativa é que a exoneração do ministro seja publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. Na tarde de ontem, Castro não deu certeza se deixaria o cargo na Esplanada temporariamente. ;Ainda não tomei a minha decisão. Está acontecendo um fato muito importante na bancada. Sou deputado federal pelo PMDB e, naturalmente, tenho interesse nesse assunto;, afirmou.

Picciani conta também com um reforço de seu estado. Tanto Pedro Paulo (RJ), secretário executivo de Coordenação da prefeitura carioca, quanto Marco Antônio Cabral, secretário de Esporte, Lazer e Juventude do estado do Rio e filho do ex-governador Sérgio Cabral, se licenciaram de seus cargos para voltarem à Câmara. Devido à divisão das vagas de suplência nas coligações, Cabral assumiu o lugar do deputado Deley (PTB-RJ), que virou titular da Secretaria de Esporte do Rio. Já Pedro Paulo vai entrar no lugar do deputado Alexandre Serfiotis (PSD-RJ).

A movimentação foi criticada pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal apoiador do concorrente de Picciani, deputado Hugo Motta (PB). ;A vinda do ministro é ruim pela crise de saúde, mas ele tem direito por deter mandato. Manobra é a nomeação de titulares de deputados que estão na coligação que fazem com que venham suplentes do PMDB;, afirmou. Ele lembrou que defendeu a possibilidade de deputados que atuam como ministros votarem sem se afastar do cargo, o que não aumentaria a bancada. O partido não chegou a um consenso sobre a sugestão ao discutir o tema em janeiro.

Interpretação
Cunha criticou ainda a interpretação de que uma derrota de Picciani significa a derrocada do Planalto, e que se Motta perder a disputa o ônus é para ele. ;É um erro interpretar essa eleição como uma disputa entre governo e oposição;, afirmou. ;Isso é uma disputa interna da bancada;, acrescentou.

Tanto o lado de Picciani quanto o de Motta continuam confiantes na vitória, mas há incertezas porque o voto é secreto. Do lado do paraibano, a estimativa é que ele tenha pelo menos cinco nomes de vantagem. O grupo que o apoia quer que a eleição seja eletrônica, mas por enquanto a definição é que será manual. Foi pedida uma reunião com Picciani na noite de ontem, mas o encontro acabou desmarcado. ;Os deputados querem eletrônico para não serem controlados;, afirma o deputado Darcísio Perondi (RS), eleitor de Motta.
Colaborou Natália Lambert


Câmara aprova a MP 695
Depois de quase quatro horas de obstrução, a Câmara dos Deputados aprovou às 22h20, por 280 votos a 157, a base do texto da Medida Provisória (MP) n; 695/15 que trata do parcelamento das dívidas dos clubes de futebol, entre os quais está o que permite o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal adquirirem participação em empresas, incluindo bancos privados e companhias de tecnologia da informação. Outro destaque garante à Caixa a exploração de um novo tipo da raspadinha Lotex, em datas comemorativas e eventos festivos. Atualmente, a modalidade de loteria circula apenas com escudos de times de futebol. Há também a proposta para que os próprios clubes possam explorar as vendas dessa loteria. A MP é uma das matérias que trancam a pauta de votação em plenário. Os partidos de oposição tentam a todo custo obstruir os trabalhos como forma de pressionar a instalação imediata da comissão especial que vai analisar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.


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