Bovespa e dólar se valorizam

Bovespa e dólar se valorizam

Melhora no quadro econômico da China e no preço do minério de ferro fazem ações de siderúrgica subirem e seguram alta de 2,13% na bolsa paulista. Queda no preço do petróleo e expectativa da publicação ata do Fed fazem moeda dos EUA fechar a R$ 4,071

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 17/02/2016 00:00
 (foto: Karen Blaier/afp - 30/1/11)
(foto: Karen Blaier/afp - 30/1/11)


Influenciada pela alta no preço do minério de ferro e por dados do mercado de crédito da China, a Bolsa de Valores de São Paulo (BMF) registrou ontem a alta de 2,13%, e terminou o pregão com 40.947 pontos. Essa foi a terceira elevação consecutiva do Ibovespa, mas os analistas ainda estão céticos em relação às perspectivas de melhora do cenário. O quadro internacional também implicou aumento de 1,86% do dólar, que fechou o dia cotado a R$ 4,071.

Conforme Felipe Chad, sócio-diretor da DXI, as sinalizações de que haverá expansão na oferta de crédito para as empresas chinesas proporcionou uma alta do preço do minério de ferro e esse movimento favoreceu, principalmente, as siderúrgicas brasileiras. Os papéis preferenciais da Vale tiveram valorização de 6,16% e os ordinários de 7,42%. Entre as ações com as maiores altas ontem, estão as preferenciais da Gerdau, que subiram 8,18%, e as ordinárias da CSN, com elevação de 7,80%.

O diretor da DXI ainda comentou que, sem a melhora do ambiente macroeconômico no Brasil, dificilmente a Bovespa continuará a registrar resultados favoráveis. Ele ressaltou que sem a melhora do ambiente político, as perspectivas continuarão ruins para o mercado. ;Tivemos um pequeno alívio nos últimos dias, mas o quadro não é positivo. Precisamos de sinalizações claras de que há condições de a economia se recuperar;, disse.

O economista Paulo Eduardo Nogueira Gomes, da Azimut Brasil Wealth Management, destacou que o mercado continuará volátil enquanto os problemas políticos não forem resolvidos. Para ele, o movimento de valorização da Bovespa está ligado à percepção de que parte dos papéis das companhias estão cotados abaixo do valor patrimonial das companhias, e isso favorece um volume maior de negociações.

Gomes alertou que os mercados devem ser influenciados hoje pela ata da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). Segundo o economista, o comunicado da autoridade monetária norte-americana deverá sinalizar como ficarão as taxas de juros no país nos próximos meses, o que influenciará diretamente na cotação do dólar. ;A situação macroeconômica é desafiadora e o quadro externo terá influência sobre esse processo de recuperação brasileiro;, afirmou.

Incertezas

As incertezas em relação à capacidade do Brasil reequilibrar as contas públicas e recuperar o crescimento econômico têm levado os investidores a reforçar as posições em dólar para proteger o patrimônio de choques extremos. Muitos temem que o governo não conseguirá aprovar a reforma da Previdência Social e que a volta da CPMF trará mais custos para a atividade produtiva no país.

Os analistas ainda apontaram que a valorização do dólar foi influenciada pela queda de 4,3% nas vendas do comércio varejista no ano passado. Os economistas estimam que pelo menos 200 mil postos de trabalho sejam fechados pelo setor em 2016. Também colaborou para o encarecimento da divisa norte-americana a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.


TIM investirá
R$ 14 bilhões

A controladora da TIM, a Telecom Italia, informou ontem que o plano estratégico da empresa manteve a previsão de investimento de R$ 14 bilhões em três anos no Brasil. A cifra exclui os gastos com compra de espectro. No plano, a empresa diz que há espaço para ganhar eficiência. Ao citar apenas que pode cortar custos, a Telecom Italia disse que ;ações para recuperar a eficiência também serão importantes e com as quais a TIM quer recuperar mais de R$ 1 bilhão até 2017;. No comunicado ao mercado, a controladora diz genericamente que ;novas oportunidades podem ser identificadas, como menor custo operacional;.


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