Caminho aberto para comboios de ajuda

Caminho aberto para comboios de ajuda

postado em 17/02/2016 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)



No dia seguinte aos bombardeios que atingiram hospitais e uma escola no norte da Síria, matando ao menos 50 pessoas, as Nações Unidas preparavam ontem o envio de comboios com ajuda humanitária para sete regiões críticas do país, após receberem o aval do governo de Damasco. ;Eles partirão o mais cedo possível;, anunciou o porta-voz da ONU Farhan Haq, relatando o resultado de conversações mantidas na capital síria pelo enviado especial da organização, Staffan de Mistura. Um dos destinos prioritários da operação é Madaya, de onde chegam relatos sobre fome em decorrência do prolongado cerco das tropas leais ao regime. Os demais destinos incluem cidades assediadas por rebeldes ou pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

;Agências humanitárias e outros parceiros (da ONU) estão fazendo os preparativos para que esses comboios possam partir nos próximos dias;, informou o porta-voz. Segundo estimativas dos organismos internacionais, cerca de meio milhão de civis podem estar retidas nas áreas prioritárias. O envio da ajuda de emergência está articulado com o acordo firmado na semana passada por potências estrangeiras para colocar em prática um cessar-fogo na Síria, como primeiro passo para avançar no rumo de uma solução negociada para a guerra civil, que se arrasta há quase cinco anos e já deixou mais de 350 mil mortos.

A trégua não se estende ao Estado Islâmico, mas esbarra principalmente na reticência do governo sírio. Em rara entrevista, que coincidiu com a notícia dos bombardeios, o presidente Bashar Al-Assad questionou a disposição e a capacidade de ;todas as forças; envolvidas para tomar as medidas necessárias para a suspensão de hostilidades dentro do prazo acordado ; o cessar-fogo deveria entrar em vigor ainda nesta semana.

Crimes de guerra
Apontada pela organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF), pela oposição síria, pelos Estados Unidos e pela Turquia como responsável pelo bombardeio aos hospitais, a Rússia negou ontem qualquer responsabilidade. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov rejeitou ;categoricamente; a acusação e desafiou os adversários a apresentarem provas. O governo de Moscou, que desde setembro passado dá apoio aéreo para as forças de Damasco em várias frentes de combate, ;só reconhece as evidências apresentadas pelo governo sírio;, insistiu Peskov.

Duas das instalações médicas atingidas eram apoiadas e dirigidas pela MSF. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou os ataques como ;violação flagrante do direito internacional;, enquanto a diplomacia francesa tratou o episódio como ;crime de guerra;. A organização Médicos pelos Direitos Humanos registra desde o início do conflito, em 2011, ao menos 336 ataques a instalações médicas e a morte de 697 pessoas ligadas a elas. A ONG atribui 90% das violações ao regime sírio e seus aliados.


Americanos libertados no Iraque

As forças de segurança do Iraque libertaram três americanos que tinham sido sequestrados no mês passado em Bagdá, anunciou ontem o Departamento de Estado, em Washington. ;Apreciamos sinceramente a ajuda do governo iraquiano e todo o empenho para conseguir resgatar esses cidadãos;, declarou o porta-voz Mark Toner. Nenhum dos dois governos deu informações sobre quem seriam os sequestradores nem sobre a motivação, mas um coronel da inteligência iraquiana disse à agência de notícias France-Presse que os americanos teriam sido levados a um apartamento de Bagdá atraídos pela oferta de bebida e mulheres. A prostituição e o consumo de álcool são alvo do Estado Islâmico, que controla porções do território iraquiano, mas também das milícias xiitas que combatem os jihadistas, sobretudo na capital.


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