Serial killer é condenado a 20 anos de prisão

Serial killer é condenado a 20 anos de prisão

Tiago Henrique foi a júri popular pelo assassinato de Ana Karla. Ele ainda é acusado de outras 34 mortes

» Renato Alves
postado em 17/02/2016 00:00
 (foto: TJGO/Divulgação)
(foto: TJGO/Divulgação)

Apontado como autor de 35 assassinatos, o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, 27 anos, foi condenado a 20 anos de cadeia, por matar com um tiro no peito a adolescente Ana Karla Lemes da Silva, em Goiânia. Esse foi o primeiro caso julgado. O crime ocorreu em 15 de dezembro de 2013. A vítima tinha 15 anos. O júri popular, que começou na manhã de ontem, durou pouco mais de quatro horas. A rapidez se deu em função da ausência de testemunhas de defesa e de ter havido só um depoimento da acusação. O Ministério Público vai recorrer e pedir uma pena maior. Os advogados dele querem a redução.

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, que presidiu a sessão, acatou os dois recursos, logo após o fim do julgamento. Não há prazo para que eles sejam analisados pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Agora, acusação e defesa têm cinco dias para apresentar ao magistrado as razões. Em votação secreta, apenas um dos cinco jurados votou pela absolvição do réu. Durante o julgamento, Tiago permaneceu com a cabeça baixa, sem demonstrar nervosismo. Ele ficou mais agitado só na leitura da sentença.


Tiago deve passar por mais 34 julgamentos. Nenhum está marcado. De acordo com Alcântara, o vigilante pode ser condenado em todos os casos, mas, conforme a legislação, poderá ficar, no máximo, três décadas em regime fechado. Mesmo se pegar 600 anos de condenação, ele só ficará 30 anos preso.

O réu está preso desde 14 de outubro de 2014, no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital do estado. Ele confessou à Polícia Civil ter matado 39 pessoas em Goiás desde 2011. Depois, em depoimentos na companhia de advogados, reduziu o número para 29. Em abril do ano passado, a Justiça goiana o condenou a 12 anos e quatro meses de prisão em regime fechado por ter assaltado duas vezes a mesma agência lotérica do Setor Central, em Goiânia.

;Passei mal;
Como a maiorias das vítimas, Ana Karla não conhecia Tiago Henrique. Familiares da vítima estavam no 2; Tribunal do Júri, no Setor Oeste, de Goiânia, e acompanharam toda a sessão. Ao fim, comemoram a condenação. Após a sentença, a mãe dela, a cozinheira Ironildes Lemes, 59 anos, disse estar aliviada. ;Achei maravilhoso e espero que ele apodreça na cadeia, pois não matou apenas a minha filha, mas também outras moças e mendigos;, afirmou.

Ironildes foi a única testemunha ouvida no julgamento. Um vizinho de Ana Karla que estava arrolado como testemunha de acusação não compareceu e foi dispensado. Ironildes contou aos jurados que não conseguiu ver o corpo da filha logo após o homicídio, na Avenida T-9, em Goiânia. ;Não acreditei e entrei. Depois, quis correr, mas passei mal e caí;. Após responder a algumas perguntas do juiz e da promotoria, ela foi dispensada e permaneceu no auditório ao lado dos parentes.

Em seguida, houve o depoimento de Tiago Henrique, que pediu desculpas à família da vítima. ;Eu queria pedir perdão para a mãe da Ana Karla. Eu não queria ter feito nada disso;, afirmou. Questionado pelo juiz se ele é um serial killer, o vigilante respondeu: ;Não me considero;. Tiago também afirmou que ;se sentia muito mal; após os crimes. ;Não tem motivo. É uma coisa inexplicável. Contrariando o que a maioria das pessoas pensam, que eu tinha prazer, era forçado a fazer isso (por uma força do mal).;

A defesa alegou que, por sofrer transtorno de personalidade, Tiago deveria ter a imputabilidade reduzida. Os advogados ressaltaram, no julgamento, que o cliente é um psicopata e não pode responder pelo ato. ;Ele entende que está errado, mas não se autodetermina, o controle dele não se sobrepõe;, afirmou o defensor Wanderson Santos de Oliveira. Perante o júri, o vigilante disse não se lembrar de ter matado Ana Karla, no bairro do Jardim Planalto.

Esse foi o primeiro júri popular enfrentado por Tiago Henrique. O réu, que ficou conhecido em todo o país pela série de crimes em Goiânia, é acusado de matar 35 pessoas, a maioria mulheres. O promotor de Justiça Cyro Terra Peres, do Ministério Público de Goiás que atuou na acusação, defendeu a condenação no limite da pena prevista em lei, 30 anos. Diante da decisão do júri, ele anunciou o recurso por uma condenação mais pesada.

Cartas em série
No julgamento, Peres leu carta que Tiago enviou à Polícia Civil alertando ser um assassino em série e que continuaria a matar. ;Quantas pessoas teriam sido salvas se ele tivesse sido preso na época?;, questionou o promotor. Peres também apresentou laudos psicológicos atestando que Tiago tem frieza emocional e tendência a manipulação. Defendeu que ele é responsável por seus atos e, portanto, sabe o que é certo e errado, sem doenças mentais e que é plenamente capaz e responsável pelos crimes que cometeu.

Na última sexta-feira, Tiago enviou uma carta ao juiz pedindo compreensão pelos crimes cometidos. No texto, afirma que queria a chance de voltar à infância e recomeçar sua vida. O documento foi anexado aos autos do processo e deve ser apresentado durante o julgamento. Esta é a segunda carta do acusado que é juntada ao processo. A primeira foi em maio do ano passado, quando ele também afirmou estar arrependido dos crimes cometidos e pediu perdão às famílias das vítimas.




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