Dicas de português

Dicas de português

por Dad Squarisi >> dadsquarisi.df@dabr.com.br

postado em 17/02/2016 00:00



Recado
"As palavras dizem o que são."
Platão

A velha e eterna vírgula
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) completou 100 anos. Data tão especial merecia registro pra lá de especial. Nada melhor do que homenagear a precisão e a clareza. Entre tantos elementos que contribuem para a correta expressão, a escolha recaiu sobre a vírgula. O pequeno e despretensioso sinal, tão maltratado e tão incompreendido, ganhou destaque graças a texto pra lá de criativo. Conhece? Ele já figurou na coluna. Mas leitores generosos insistem em repeti-lo. Entre eles, Roberto Freire. Ele explica a razão: democratizar o conhecimento. Viva!

100 anos de vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere.
Não espere...

Ela pode sumir com seu dinheiro:
23,4
2,34

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.


Lápis
na mão

Meio na brincadeirinha, a ABI deixa recado claro: a vírgula não é pra principiantes. Usá-la exige engenho, arte e profissionalismo. Vale o exemplo do enunciado a seguir. O emprego da bengalinha neste ou naquele lugar muda a mensagem. Teste a sua habilidade. Depois de ler o período, ponha a vírgula ora pra puxar a brasa para o churrasquinho do homem, ora para o churrasquinho da mulher:

Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura.

Mulher

..................................................................................................................

Homem


..................................................................................................................

A resposta? Está no finzinho da coluna.
Sangue frio

Roberto Barreto é leitor pra lá de atento. Preocupa-se sobretudo com a lógica do enunciado. Divertido, morre de rir quando percebe disparates nos textos. Não faltamfrases em que se confirma a afirmação de Mario Quintana: ;O autor pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita;. No domingo, encontrou esta pérola:

Polícia prende acusado de matar a namorada no velório dela.

;Parece coisa do outro mundo;, comentou ele. Com razão. A frase diz que a moça disputavao privilégio do gato. O felino tem sete vidas. Ela, pelo menos, duas. O tumulto se deve a colocação. Do jeito que está, parece que o rapaz matou a namorada no velório dela. Sem-noção, não? Melhor mudar a ordem dos termos. Assim: Polícia prende, no velório, acusado de matar a namorada.



Leitor pergunta

Devo escrever que eles foram alvo ou alvos de denúncias?
João Maria Madeira Basto, lugar incerto
Parece pegadinha. Mas não é. A língua deixa no singular o substantivo abstrato que, depois de verbo de ligacão (ser, estar, tornar-se, virar), caracterize genericamente o sujeito plural: eles foram alvo dos ladrões. Filmes americanos são destaque no Oscar. Os bombeiros se tornaram exemplo de eficiência. Roupas de grife viraram objeto de desejo dos jovens.

***
A mídia tem designado postos militares no feminino. É o caso de capitã e sargenta. Está errado, não?
Waldemiro Belo, BH
A língua, Waldemiro, admite esses femininos. Eles jogam no time de cidadã (cidadão) e menina (menino). Estão, pois, gramaticalmente corretos. As Forças Armadas optaram por usar sempre o masculino. É convencão interna.

Resposta

Homem: Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher andaria de quatro à sua procura.

Mulher: Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, andaria de quatro à sua procura.


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