Detenção na Suíça

Detenção na Suíça

postado em 24/02/2016 00:00

O Ministério Público informou ontem que a polícia da Suíça prendeu, em 17 de fevereiro, o funcionário da Odebrecht suspeito de administrar contas secretas da empreiteira no exterior. O juiz da Lava-Jato no Paraná, Sérgio Moro, determinou a prisão de Fernando Migliaccio, mas ele não foi detido pela Polícia Federal na Operação Acarajé, porque estava fora do país.


De acordo com o magistrado, a função de Migliaccio era ;administrar as contas secretas da Odebrecht e que estas eram utilizadas para repasses de propinas a agentes públicos em transações subreptícias;. Segundo o adido policial da Suíça Marco Marinzoli, o funcionário da empreiteira foi detido no dia 17 por volta do meio-dia. A prisão atendeu a pedido do Ministério Público Federal da Suíça. A informação sobre a detenção foi prestada ao juiz Sérgio Moro na tarde de ontem. O Correio apurou que a prisão de Miggliacio aconteceu em Genebra enquanto ele tentava fechar contas bancárias e esvaziar um cofre que mantinha num banco suíço.


A Operação Acarajé foi deflagrada na segunda-feira, cinco dias depois da detenção de Migliaccio na Suíça. De acordo com a investigação, ele se mudou para os Estados Unidos com a família, no segundo semestre de 2014, quando a Lava-Jato já havia se tornado pública. Quem pagou as despesas foi a Odebrecht.


Migliaccio é responsável pela administração de empresas offshores e contas bancárias delas. Segundo Moro, entre elas estão a Finance Inc, Dorchester Ltda., Broken Arrow Investment Partners LP, a Klienfeld Services e a Constructora International del Sur.


A Polícia Federal já indicou que as duas últimas foram usadas para lavar dinheiro do esquema, destacou o magistrado. A Klinfield foi usada para pagar propinas para o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada, segundo a PF.


Migliacio enviou de seu e-mail funcional (mig@odebrecht.com) para a conta particular o.overlord@hotmail.com uma planilha com uma ;espécie de contabilidade de pagamentos ilícitos efetuados pela Odebrecht;, segundo o juiz. O arquivo intitulado ;posicao-italiano310712MO.xls; contém anotações como ;18.000.000; para ;evento 2008 (eleições municipais) via Feira;. Para Moro, trata-se de pagamentos a João Santana para eleições municipais no Brasil. A anotação ;5.300.000; no ;evento El Salvador via Feira; seria repasses para o marqueteiro naquele país. (EM)





PF vê ;proximidade; com Dilma e Lula
Após analisar relatório referente a uma conta de e-mail do publicitário João Santana em 2015, a Polícia Federal chegou à conclusão de que o marqueteiro ;possui relação de muita proximidade; com a presidente Dilma Rousseff e ;certa influência sobre as ações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva;. O documento não traz acusações nem levanta suspeitas sobre os interlocutores de Santana ; responsável pela campanha da reeleição de Lula à Presidência, em 2006, e das duas campanhas de Dilma, em 2010 e em 2014. Mostra como esses interlocutores se valiam de uma conta de e-mail do publicitário, com sua anuência, para tentar se comunicar com a presidente ou com o ex-presidente. A peça, de 21 de janeiro, foi encartada pela PF nos autos da Operação Acarajé, deflagrada na segunda-feira.





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