Brasil sob risco de insolvência fiscal

Brasil sob risco de insolvência fiscal

postado em 24/02/2016 00:00
 (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


O país pode estar caminhando, a médio prazo, para a insolvência fiscal, o que levaria o governo a dar calote na dívida pública, segundo um relatório elaborado pelo diretor de Pesquisa para Mercados Emergentes do banco de investimentos Goldman Sachs, Alberto Ramos.

;Há uma percepção crescente entre investidores e analistas de que o Brasil está em uma trajetória que pode eventualmente levar a uma insolvência fiscal a médio prazo, e o principal receio é o de que o governo ainda está por mostrar maior vontade ou força política para lidar com esses desafios crescentes;, afirma o economista em relatório distribuído a clientes da instituição.

Ramos, que fez uma visita de três dias ao país, na qual conversou com analistas e recolheu informações no Ministério da Fazenda, no Banco Central, no BNDES e na Petrobras, destaca, no documento, que as perspectivas de uma reforma fiscal significativa são ;desoladoras;. Na avaliação dele, o governo vai apresentar deficit fiscal pelo terceiro ano consecutivo em 2016, da ordem de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, é grande o risco, na visão dos especialistas, de que o acelerado crescimento da dívida pública provoque impactos fortemente negativos sobre a economia e a inflação.

Resolver o problema da dívida, no entanto, vai ser muito difícil, segundo Ramos, pois os agentes econômicos não toleram mais aumento da carga tributária, e o corte de gastos é complicado, devido à rigidez do Orçamento e à falta de disposição do governo para reduzir o tamanho do setor público. ;As perspectivas de reforma fiscais de médio prazo significativas são sombrias;, comenta Ramos.

Há um forte sentimento negativo no país diante da deterioração dos cenários econômico, social e político, nota o economista, acrescentando que a percepção é a de que a situação ainda vai ficar pior antes que possa melhorar.

Ramos nota ainda que, com a recessão prolongada e profunda, o aumento do desemprego e da inadimplência, e os desdobramentos da Operação Lava-Jato ; que fortalece a rejeição aos sistema político ;, é crescente a probabilidade de um candidato ;antistablishment; despontar nas eleições presidenciais de 2018.


  • Mais nomes da UnB no Tesouro

    A presença de economistas da Universidade de Brasília (UnB) no Tesouro aumentou. José Franco Medeiros de Morais e William Baghdassarian foram indicados para assumir, respectivamente, as subsecretarias da Dívida Pública e de Política Fiscal da Secretaria do Tesouro. Franco é doutor em economia pela UnB e tem pós-graduação na George Washington University. Baghdassarian é graduado em engenharia mecânica pela UnB e em economia pela AEUDF, possuindo ainda mestrado em economia pela UnB.

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