Dossiê culpa EUA por espionagem de líderes

Dossiê culpa EUA por espionagem de líderes

postado em 24/02/2016 00:00
 (foto: Stefano Rellandini/AFP - 13/6/11)
(foto: Stefano Rellandini/AFP - 13/6/11)



O site WikiLeaks publicou, na madrugada de ontem, novos documentos secretos que detalham a espionagem dos Estados Unidos contra líderes mundiais. A chancelaria italiana foi a primeira a se manifestar publicamente, convocando o embaixador americano em Roma, John Phillips, para pedir ;esclarecimentos; sobre a denúncia de que o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi teria sido alvo da Agência de Segurança Nacional (NSA) em 2011, enquanto ainda ocupava o cargo. Os documentos, publicados na internet, mostram que a chanceler alemã, Angela Merkel; o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy; o premiê israelense, Benjamin Netanyahu; e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também tiveram a privacidade violada por Washington.

Segundo o WikiLeaks, a NSA interceptou conversas entre Berlusconi, Merkel e Sarkozy, as quais mostraram o líder italiano pressionado para que fortalecesse o setor bancário do país e reduzisse a dívida do Estado. Berlusconi é mencionado em outro telegrama diplomático, datado de 2010, que aborda a relação do italiano com Netanyahu. O documento atesta que o premiê israelense buscou apoio para facilitar as conversas com Washington durante uma fase difícil nas relações bilaterais e que a Itália se colocou ;à disposição; do país. ;Israel buscou na Europa, incluindo a Itália, ajuda para amenizar a atual rixa em sua relação com os EUA, de acordo com relatório diplomático de 13 de março;, afirma o documento vazado.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália divulgou comunicado afirmando que Phillips ;assegurou que levará a questão aos superiores imediatamente;, mas lembrou que, em 2014, o presidente Barack Obama baniu a espionagem de líderes de países amigos. Aliados de Berlusconi associaram o vazamento a suspeitas de que o ex-premiê tenha sido alvo de um projeto internacional para que não se reelegesse. ;Não vamos esquecer como as agências de classificação degradaram a Itália, por nenhum motivo, além de querer tirar Berlusconi do poder;, escreveu Renato Brunetta, membro do partido Forza Italia, no Twitter.

Mudança climática
Dois extratos revelados pelo site indicam a intercepção de comunicações entre o Japão e a Alemanha e entre Merkel e Ban Ki-moon. As conversas precederam a Cúpula de Copenhague sobre mudanças climáticas, de 2009, e mostram a articulação dos países na tentativa de chegar a um acordo. O telegrama dedicado à conversa entre a chanceler alemã e o secretário-geral da ONU alerta Washington sobre a intenção dos dois de ;organizar uma minicúpula, no começo de 2009, para envolver o novo governo dos EUA, acreditando ser importante ter uma ideia clara das intenções americanas;. O texto acrescenta detalhes da posição alemã e a intenção da chanceler de manter a discussão entre chefes de Estado e governo.

Em nota publicada no site, o editor do WikiLeaks, Julian Assange, declarou ter provado que conversas de Ban Ki-moon ;sobre como salvar o planeta da mudança climática foram interceptadas por um país com a intenção de proteger suas maiores companhias petroleiras;. Assange lembrou, ainda, o papel da pré-candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, na violação de informações biométricas de representantes do Conselho de Segurança da ONU, informação também revelada pelo site.


Condenação por
sequestro de imã


A Corte Europeia de Direitos Humanos condenou a Itália a pagar 115 mil euros (cerca de R$ 500 mil) ao imã Osama Mustafa Hassan Nasr, conhecido como Abu Omar, por entender que o governo italiano ;colaborou ativamente; para que a Agência Central de Inteligência (CIA) sequestrasse o líder religioso em Milão. A Corte destacou que o clérigo muçulmano sofreu várias violações de direitos humanos, incluindo tortura. Apreendido em fevereiro de 2003, enquanto caminhava pela cidade, ele foi levado ao Cairo por um avião da Força Aérea americana. Catorze meses depois, foi solto no Egito, sem indiciamento. Autoridades egípcias o detiveram novamente, mantendo-o encarcerado até 2007.


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