Guerra fiscal emperra partida

Guerra fiscal emperra partida

Cuiabá deixa Fla sem-teto e clube negocia redução de taxa para receber Figueirense no DF

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 24/02/2016 00:00
 (foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
(foto: Gilvan de Souza/Flamengo)


O Flamengo só vai mandar o jogo contra o Figueirense no Mané Garrincha, em 9 de março, pela terceira rodada da fase de grupos da Primeira Liga ; e fechar um pacote de partidas do Carioca, Brasileirão e Copa do Brasil ; se o Governo do Distrito Federal baixar a taxa de ocupação do estádio. O Correio apurou que o clube carioca está disposto a assinar um contrato de sete a 12 mandos de campo no Distrito Federal, mas exige, em contrapartida, a diminuição do preço do aluguel. No Fla-Flu, o imposto foi de 7% da renda bruta.

Um dos motivos para a guerra fiscal é o prejuízo causado pela desistência de receber o adversário catarinense na Arena Pantanal. Inspecionado pela diretoria, o estádio, que recebeu cinco jogos da Copa de 2014, está abandonado. Foram detectados problemas no gramado, nos vestiários, no acesso e até água parada no primeiro degrau das arquibancadas em tempos de combate ao mosquito transmissor da dengue.

Principal rival do Mané Garrincha na disputa para receber jogos, a Arena Pantanal deixou o Flamengo e outros clubes mal-acostumados. O diferencial de Cuiabá era a cobrança de taxa zero. No ano passado, por exemplo, a partida entre Cruzeiro e Corinthians, pela Série A, chegou a ser publicada em Brasília na tabela da CBF. No entanto, Cuiabá venceu a guerra fiscal e levou a partida para o Mato-Grosso. Animados com a declaração do técnico Muricy Ramalho de que o Flamengo precisa de uma casa, e que pode até ser o Mané Garrincha, o GDF e o Flamengo mantêm contato na tentativa de negociar a redução da taxa e outros detalhes de logística. No Fla-Flu do último domingo, a renda bruta foi de R$ 2.388.360. Do montante, R$ 151.956 tiveram de ser repassados à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, responsável pela administração do estádio. Mas o aluguel não é o único problema. As federações do Rio e do DF embolsaram, respectivamente, a R$ 217.080 e R$ 108.540.

Em entrevista ao Correio no início da noite de ontem, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, mostrou cautela quanto a transferência da partida contra o Figueirense de Cuiabá para Brasília. ;Ainda não sabemos, não decidimos.; O subsecretário de desenvolvimento e turismo, Jaime Recena, também jogou na defensiva. ;Não temos nenhuma sinalização formal ainda.;

Uma fonte foi mais incisiva ao comentar o a negociação. Disse à reportagem que o acordo depende das formas de pagamento e de outros detalhes que não revelou. Mas afirmou que a tendência é mesmo que o Flamengo receba o Figueirense no Mané Garrincha.

Sem-teto, o clube rubro-negro vive um drama que se arrasta há três anos. O Correio levantou que, de 2013 a 2016, o Fla mandou 25 partidas fora do Rio. Neste ano, a equipe disputou oito jogos, todos em estádios diferentes. Como se não bastasse a vida cigana, há um outro problema interno. Em 2013, o Flamengo abriu uma empresa responsável pela promoção das partidas com mando fora da Cidade Maravilhosa. A intenção era escapar das empresas caça-jogos e arrematar a bilheteria. No entanto, desde o ano passado, o clube vende seus mandos em troca de uma cota fixa antecipada e passou a liberar a renda ao comprador. Logo, o clube reivindica uma taxa de aluguel mais baixa na tentativa de ter lucro promovendo ou terceirizando a organização do jogo.

Vizeu estreia

Em boa fase na temporada, o Flamengo se dará ao luxo de utilizar um time praticamente reserva para enfrentar a Cabofriense, às 19h30, no Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé (RJ). A partida é válida pela sexta rodada do Campeonato Carioca e marcará a estreia do jovem Felipe Vizeu, destaque da Copa São Paulo, no time titular.

Vice-líder do Grupo B, o Flamengo tem 10 pontos, cinco a menos que o Botafogo. A Cabofriense está apenas na sexta posição do Grupo A, com quatro pontos, e possui apenas uma vitória na competição. Por causa da maratona de jogos neste início de ano e das suspensões do zagueiro Wallace, do volante Cuéllar e do atacante Guerrero, o técnico Muricy Ramalho utilizará apenas o goleiro Paulo Victor, o zagueiro Juan e o volante Mancuello dos atuais titulares. O argentino foi um dos destaques da equipe no clássico com o Fluminense, que terminou vitória rubro-negra por 2 x 1, e já desponta como um dos preferidos pela torcida.

Na lateral esquerda, Chiquinho entra no lugar de Jorge. No meio, Márcio Araújo e Canteros voltam ao time ao lado de Mancuello. Na frente, Gabriel terá chance, com o trio completado por Everton e Felipe Vizeu.

FICHA TÉCNICA

19h30
Moarcyrzão
Macaé (RJ)
Campeonato Carioca
5; rodada
Transmissão: pay-per-view

Cabofriense
Andrey; Júlio Lopes, Juliano, Rafael Sales e Leandro; Gilson, Pedro Henrique, Keninha e Carlinhos; Marquinhos e Charles Chad
Técnico: Eduardo Húngaro

Flamengo
Paulo Victor; Pará, César Martins, Juan e Chiquinho; Márcio Araújo, Canteros e Mancuello; Gabriel, Everton e Felipe Vizeu
Técnico: Muricy Ramalho.

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