MP questiona a Rede Cascol

MP questiona a Rede Cascol

A Promotoria do Consumidor quer saber por que a empresa informou pagar mais do que os concorrentes pela gasolina na distribuidora. A investigação aberta para apurar a prática de cartel no DF desconfia de manobra para obter lucro maior

» FLÁVIA MAIA » THIAGO SOARES
postado em 24/02/2016 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)



O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) questionará a Rede Cascol sobre o preço de compra da gasolina na distribuidora. O valor apresentado pela empresa ao órgão é superior ao dos concorrentes, na comparação feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Isso pode repercutir na cifra encontrada nas bombas. Enquanto alguns postos pagam R$ 3,24 ou R$ 3,29 por litro comprado da revendedora, a Cascol informou ao MPDFT que gasta R$ 3,36. A Promotoria do Consumidor (Prodecon) quer entender por que a companhia desembolsa um preço mais alto do que o praticado no mercado e se esse valor pode atrapalhar o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em 22 de janeiro.

O acordo assinado entre a Cascol e o MPDFT limita o lucro bruto da gasolina em até 15,87% durante seis meses. A preocupação da promotoria é se a empresa está informando um valor de compra diferente do que ela paga para conseguir um lucro maior do estabelecido no TAC. ;O MP está de olho na tabela de preços, fiscalizando e acompanhando o bom cumprimento do TAC assinado;, afirmou o promotor Paulo Binicheski, responsável pelo termo de ajustamento.

O fato de a Cascol ter caminhão para frete próprio do terminal até os postos de combustíveis e concentrar mais de 30% do mercado brasiliense ; o que daria fôlego de negociação de preço com a distribuidora ; elevam a dúvida sobre o valor de compra apresentado ao MPDFT. ;Por que as revendedoras de combustível cobrariam mais caro da Cascol e venderiam mais barato para redes menores? Essa pergunta precisa ser respondida;, questiona Binicheski.

Em nota, a Cascol informou que não tem ingerência sobre o preço praticado pelas distribuidoras. ;A Cascol Combustíveis informa que compra seus combustíveis exclusivamente das distribuidoras BR e Ipiranga com as melhores condições possíveis. Quanto a diferença nos preços de compra, a Cascol esclarece que o valor pago é o cobrado pela distribuidora.;

Controle

Com a assinatura do TAC, os preços da gasolina chegaram a cair R$ 0,08 nas bombas no início do mês, com a gasolina custando R$ 3,89. Porém, ontem, o Correio percorreu postos no Plano Piloto e em Santa Maria e encontrou valores entre R$ 3,88 e R$ 3,97. O taxista Júlio da Silva, 43 anos, considera abusivo os valores cobrados na capital. ;É um absurdo o que se paga em Brasília. Para quem trabalha com o carro, é ainda mais complicado. Eu ando por diversas regiões e sempre busco o menor preço, mas não adianta, a diferença nem vale tanto a pena;, reclama. Na opinião dele, mesmo com a revelação da prática de cartel em Brasília, os empresários ainda controlam os preços das bombas. ;A grande maioria pratica o mesmo valor. Está muito caro, tem de baixar. Estão querendo continuar lucrando em cima do consumidor;, complementa.

Polícia

Há exatos três meses, a Polícia Federal, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério Público do DF deflagraram a Operação Dubai, contra o cartel de combustíveis que agia no Distrito Federal e no Entorno. Segundo as investigações, a gasolina era sobretaxada em 20% para os consumidores. Além disso, o preço do álcool era inflado para evitar a penetração no mercado brasiliense.

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