Salto para a China

Salto para a China

Além do treinamento, as brasilienses da seleção de Ginástica Acrobática estão envolvidas na campanha de arrecadação que tem como objetivo bancar alimentação e hospedagem

» RAFAEL CAMPOS
postado em 24/02/2016 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Os sorrisos constantes que acompanham a música passam a impressão de que o esforço feito pelas atletas da Seleção Brasileira de Ginástica Acrobática é pequeno. Mas basta que elas comecem a dar largos saltos em harmonia para deixar claro o quanto aquele treinamento é árduo. O grupo de 16 meninas, que se reúne de segunda a sábado, das 14h às 19h30, está em seus preparativos finais para o campeonato mundial da modalidade, que ocorre em março, na China.

Essas garotas brasilienses estão entre as 27 atletas que vão representar o país na competição, na terceira participação brasileira em mundiais do esporte. ;O Brasil participou do seu primeiro mundial em 2012. Para muitos países, nem tínhamos ginástica acrobática. A evolução foi grande de lá para cá, principalmente por conta do intercâmbio com os países que estão à frente;, garante a técnica Márcia Janete Nunes Colognese, que introduziu a atividade em Brasília em 2008.



Além do treinamento, as atletas estão envolvidas em campanha de arrecadação para bancar hospedagem e alimentação. Mas a necessidade de apoio não fica restrita ao mundial. ;Precisamos de transporte, para que eles venham treinar, lanche pós-treino, convênio médico, uniformes de competição, pagamentos de taxas de inscrição, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos ortopedistas. Qualquer pessoa pode ajudar;, explica Márcia.

A Secretaria Adjunta de Esporte e Lazer garante, além do centro de treinamento, as passagens para toda a delegação. Todos os gastos restantes tem de vir dos atletas ; ou de quem apoiá-los.

;O compromisso tem que ser enorme. Lá fora, há incentivos financeiros para treinar. Nosso incentivo maior são os familiares e o amor pelo esporte. Gastamos com passagem, alimentação, uniforme, taxa de competição. Tudo nós temos que bancar;, afirma.

Aos 18 anos, ela vai representar o Brasil pela terceira vez. A jovem, que mora na Estrutural, já esteve nos EUA, França e Holanda, tudo por conta da ginástica acrobática. ;Estou competindo desde o primeiro mundial e lembro que não éramos nada naquela época. Agora, já somos bem-vistos. Todas essas participações fazem com que o esporte seja mais visado, para conseguir mais apoio.; A ginástica acrobática ainda não é uma modalidade olímpica, o que faz com que conseguir patrocínio seja uma tarefa ainda mais difícil.

Mesmo com os empecilhos, o grupo ; que conta com mais de 70 jovens ; se mantém unido. Tanto que, aos 11 anos, Maria Eduarda de Oliveira não está nem um pouco preocupada com o fato de que vai viajar para o outro lado do mundo. ;Meus pais quem ficam (preocupados), ligam sempre, mas já estou apaixonada demais pela ginástica. Não dá para mudar;, diz. Colega de equipe, Amanda Mendes, 15, explica que, primeiro, foi conquistada pela técnica envolvida na atividade. ;Depois, foi o quanto fiquei amiga de quem está aqui. Somos uma família, até porque ficamos mais tempo juntas do que com nossos familiares.;

Evolução

A Associação de Ginástica Acrobática do Distrito Federal (Akros) é uma instituição sem fins lucrativos que reúne pais, técnicos, ginastas e simpatizantes do esporte em Brasília. A equipe do DF ; que vai representar o Brasil na China ;, além de ser a primeira seleção brasileira totalmente brasiliense em um esporte, é hexacampeã nacional. De acordo com Márcia Colognese, a evolução do grupo, que participa de mundiais desde 2012, é visível, não somente na técnica que a modalidade exige, mas no crescimento intelectual dos atletas ; atualmente, sete delas fazem curso superior em Educação Física.



;Vamos ao mundial para mostrar o que é feito aqui, sabendo em que lugar podemos chegar. Hoje, somos elogiados internacionalmente, levando para o tablado de competição de outros países o samba e o frevo.; O esporte acontece ao som de música, em um tablado de 12m x 12m, no qual se apresentam duplas, trios ou quartetos ; formados por homens ou mulheres. Os movimentos devem buscar a sincronização perfeita, além da expressão corporal e facial em harmonia com a música.

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