Mobilização para salvar um tucano

Mobilização para salvar um tucano

Grupo de profissionais trata da ave, encontrada com fratura no bico, enquanto tenta localizar o seu dono

» ALEXANDRE SANTOS ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 02/03/2016 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Um tucano-toco resgatado no jardim de uma casa, na Quadra 15 do Park Way, mobilizou um grupo de veterinários numa cruzada para tentar localizar o dono do animal. A ave, encontrada no fim de semana, está com uma fratura na parte superior do bico. Ontem, o bicho passou por exames a fim de verificar a possibilidade do uso de prótese. Segundo avaliação preliminar, embora a implantação do acessório postiço seja cogitada, a tendência é de que a lesão cicatrize com o passar do tempo. ;Vamos observar qual será o tratamento adequado de acordo com a evolução do quadro dele, que, aparentemente, não é tão preocupante;, observa o veterinário Ricardo Rabello, ressaltando, entretanto, que a ave precisará de cuidados intensivos ; sobretudo para se alimentar.

Responsável pelo resgate, a veterinária Gabriella Terra, de 36 anos, conta que um amigo a telefonou para avisar sobre a presença do bicho em uma árvore. Ela então sugeriu que o rapaz ligasse para o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) para pedir ajuda. A solicitação, de acordo com a veterinária, não foi atendida, apesar de várias tentativas.

;A polícia justificou que não poderia ir porque o animal estava solto, e eles não fazem esse tipo de serviço. Fui até lá e fiz o resgate;, conta. Por meio de nota, a corporação informou que a equipe do BPMA recolhe animais não domesticados e feridos. ;O que acontece é que o cidadão liga e, quando a equipe chega, ele já fugiu;, justificou.

O tucano foi levado para a casa do veterinário Silvio Lucena, 33 anos, que prestou os primeiros atendimentos à ave. Além de alimentá-lo de três em três horas, o veterinário escolheu um nome provisório para o animal: Zazu, inspirado no mordomo do longa Rei Leão. Sob seus cuidados, o bicho toma antibiótico, analgésico anti-inflamatório e antibiótico.

Para Gabriella, a lesão no bico de Zazu pode ter sido provocada por uma disputa por território ou em razão do impacto numa estrutura de vidro. Ela também cogita que a fratura tenha ocorrido há cerca de uma semana. ;Se ele estivesse assim há mais tempo, não teria sobrevivido. Com certeza, estaria mais magro e mais desidratado;.

De acordo com a veterinária, ainda não é possível identificar o sexo do animal. ;Nos tucanos, só um exame de DNA pode nos responder isso, embora algumas pessoas digam que o bico longo é característica do macho. O que sabemos é que se trata de uma ave bastante jovem. ;Ela pode ter fugido há pouco tempo, e o acidente, ocorrido há pouco tempo;, acrescenta.

Graças a uma anilhada presa ao tucano, Gabriella e os amigos conseguiram as primeiras pistas de onde a ave pode ter saído. No pequeno anel de metal, o grupo identificou que a ave saiu de um criadouro em Goiás e foi vendida em uma loja de Brasília. ;Falamos com a dona do comércio e passamos as informações marcadas no acessório. Se ela achar a nota fiscal dessa venda, ficará mais fácil de encontrar quem comprou a ave. A gente só teme que a pessoa não a queira de volta;, assinala.

A bióloga Nadia Rromera, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), explica que, se confirmados maus-tratos, o responsável pode ser enquadrado no artigo 29 do Decreto 6514/08. O dispositivo prevê pena de R$ 500 a R$ 3 mil. ;A fuga em si não resulta em nenhum tipo de penalidade ao dono do animal. Mas, se comprovada negligência, ele poderá ser responsabilizado por isso;, diz a especialista.




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